Parabéns.
Aceita os meus votos e os meus conselhos. Perdoa, se conseguires e quiseres, a minha intromissão no teu percurso de vida.
Celebra todos os teus dias. Celebra-os como se fossem únicos. Celebra, de forma especial, aqueles dias que o resto do mundo escolheu para comemorar algo, por mais idiota que seja. Converte esses dias nas tuas pequeninas e íntimas efemérides pessoais, únicas e irrepetíveis. Chora por tudo aquilo que o mundo faz para que te sintas a mais. Insulta todos aqueles que te rodeiam. Arrepende-te do amor e da amizade. Saboreia cada segundo da mais profunda e competente auto-comiseração. Sente-te mal até não poderes mais contigo, até te tornares insuportável, até à náusea. Odeia-te como se tivesses subido a um qualquer Calvário numa qualquer Via Sacra sem redenção, como se fosses o teu Herodes, o teu Pilatos, o teu Barrabás, sem caíres na tentação nefasta de quereres ser o teu Cristo. Sente-te como Sísifo, como a pedra, como a montanha.
Provavelmente, já fizeste tudo o que, por ti, podias fazer. Foste talhado para grandes voos. Estiveste à tua altura.
Mais uma vez, parabéns.