17/11/07















Alvito da Beira, set 2007

14/11/07

finais de dia com sabor a fim V

Nunca a chave lhe tinha parecido tão grande, tão desproporcionada relativamente à porta. Nunca a sua vida custara tanto a abrir, como a porta. Conseguiu, com esforço, abrir a porta. Sentou-se na varanda. A brisa arrefecia e a madrugada já ia longa. Sentou-se e tentou abrir a vida, como fizera à porta. Pensou que talvez não valesse a pena forçar. Da porta, ainda tinha a chave, da vida, nem por isso. Adormeceu por ali, até que os primeiros raios de luz lhe aqueceram os pés colocados sobre o muro. Da noite ficou o frio de mais uma cicatriz.