21/07/08

Desenhas linhas no papel,
Como estradas.
Desenhas, por sobre a mesa velha, de madeira velha,
Estradas direitas e tortas, que se entercruzam
Como uma teia impossível.
Vais forrando a parede cinzenta com esse mapa.
Será o teu mapa que levará ao teu tesouro.
Será um tesouro saqueado vezes demais,
Partilhado até nada mais ressoar do seu fundo,
Apenas o estertor da tua dignidade moribunda.
Ficarás por aí, traçando no céu do teu universo
Linhas sobre o papel,
Como estradas na tua galáxia inóspita.
E farás essas viagens.
Viajarás, sempre, enquanto passo na rua e te imagino aí,
Por detrás dessa janela, percorrendo resignado a tua teia.