<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175</id><updated>2011-11-24T11:40:48.609Z</updated><category term='finais de dia c sabor a fim'/><category term='diálogos pouco sãos e nada prováveis'/><title type='text'>Baudolino</title><subtitle type='html'>quem disser toda a verdade, que guarde a primeira pedra</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>142</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4548676353169833772</id><published>2011-10-06T22:07:00.004+01:00</published><updated>2011-10-09T14:14:55.833+01:00</updated><title type='text'>Proto-poema rápido de louvor hiperbólico a cão anarquista, com evocação pseudo-intelectual a Buñuel e Dali, motivado por serviço noticiodioso:</title><content type='html'>Contemplas a rua, sentado, postura sibilina.&lt;br /&gt;Sabes que ser cão, como tu, não é apenas vaguear pela rua à espera que o tempo te leve.&lt;br /&gt;Um dia, poderemos todos ser anarquistas, como tu, e juntar-nos-emos à multidão em chamas.&lt;br /&gt;Havemos&amp;nbsp; de encontrar serenidade, sentados num qualquer asfalto ou estrada empoeirada. &lt;br /&gt;E disso tudo faremos a nossa linha do horizonte. E escreveremos num céu que entretanto rasgámos as letras que fazem liberdade, juntos e em chamas, como tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Un chien andalou&lt;/em&gt;&amp;nbsp;estará a ser projectado por detrás da barreira de polícias couraçados até ao tutano. Voltar-lhe-ás as costas. Nunca foste surrealista.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4548676353169833772?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4548676353169833772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4548676353169833772' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4548676353169833772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4548676353169833772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/10/proto-poema-de-louvor-hiperbolico-cao.html' title='Proto-poema rápido de louvor hiperbólico a cão anarquista, com evocação pseudo-intelectual a Buñuel e Dali, motivado por serviço noticiodioso:'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3309027859715763863</id><published>2011-09-17T21:17:00.001+01:00</published><updated>2011-09-18T14:27:15.358+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O céu, a terra, as cores das casas, a tinta de tons diversos, exuberantes por sobre a tinta da madeira. As casas. O lago, que&amp;nbsp;me é estranho porque&amp;nbsp;sou mais do deserto e os lagos não&amp;nbsp;me são familiares, reflecte as cores das casas, as tintas, o azul pálido do céu. Tudo como numa natureza morta com gente dentro, tu, eu, todos. Encontrámo-nos em tempos, vinhas tu em busca do amor de alguém que eu conhecia e pensei sempre que era algo de impossível e exótico mas foi assim que tudo aconteceu. Encontro-te agora, porque agora se podem ver e rever as pessoas de formas diferentes e reconheço-te&amp;nbsp;o rosto&amp;nbsp;familiar, uma face que me poderia ter sido mais familiar ainda, uma face que se reflecte no lago, como as casas e as tintas. E penso que poderíamos&amp;nbsp;ter sido amigos. Se calhar ainda o poderemos ser, como se tudo o que não foi pudesse ter sido. E, agora que bebi um copo a mais e algumas coisas próprias e alheias se tornam mais difusas, penso em como a vida é mesmo curta demais para que possamos recombinar amizades e para que amores se refaçam. Não terás o amor que procuravas, pelo menos nunca te será confessado, julgo eu,&amp;nbsp;embora continues a buscá-lo porque agora se podem buscar e rebuscar as pessoas de formas ditas novas e diferentes.&amp;nbsp;Quem&amp;nbsp;procuras, essa&amp;nbsp;imagem&amp;nbsp;imatura que fugirá de si própria até ao seu próprio fim, não te cairá nos braços como ainda hoje desejas. Mas isto já o disse. Repito-me, talvez. Agora, que bebi um copo a mais e as coisas me surgem na memória com um grau de contraste paradoxalmente superior,&amp;nbsp;insisto em&amp;nbsp;que poderiamos ser amigos. Nunca seremos o que queremos, nunca seremos o que queremos, nunca, nunca. Volto a repetir-me, tanto.&lt;br /&gt;Sejamos então aquilo que podemos e bebamos um copo, ou muitos, os que quisermos, enquanto continuamos&amp;nbsp;naturalmente as nossas vidas, a minha&amp;nbsp;exuberante, com os meus amores a cheirar a flores em dia de cheirarem as flores a&amp;nbsp;coisas muito boas,&amp;nbsp;a tua, com&amp;nbsp;luz de fim de dia em terras do norte,&amp;nbsp;cheia de fotos coloridas de casas que se reflectem num lago de beleza simples e felicidade duvidosa.&amp;nbsp;E será também isto que ambos levaremos da vida, nós que nos vimos uma ou duas vezes na vida.&amp;nbsp;Levaremos isto connosco, pelo menos hoje, dia em que, casualmente, bebi um copo a mais e nem sei já se as coisas estão mais nítidas ou mais opacas. &lt;br /&gt;Vejo-a, bastantes vezes, a ela. Queres que lhe fale de ti?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3309027859715763863?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3309027859715763863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3309027859715763863' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3309027859715763863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3309027859715763863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/09/o-ceu-terra-as-cores-das-casas-tinta-de.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-2581408834420813813</id><published>2011-08-01T11:07:00.000+01:00</published><updated>2011-08-01T11:07:31.180+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Foi uma folha, verde antes do tempo, quem me contou o segredo daquela chuva fora de tempo. Uma mão lava a outra e a chuva lava as duas, as mãos e as folhas de papel. Leva-as para a terra consigo, em eterno descanso. &lt;br /&gt;(«Entre os esplendores da luz perpétua», ouve-se, devolvida a voz pela montanha que surgiu ali mesmo, agora mesmo, nem se sabe como. Coisas das liturgias humanas não se discutem, tomam-se como remédio. Amen.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-2581408834420813813?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/2581408834420813813/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=2581408834420813813' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2581408834420813813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2581408834420813813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/08/foi-uma-folha-verde-antes-do-tempo-quem.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4208723939031449806</id><published>2011-07-21T15:02:00.003+01:00</published><updated>2011-07-21T15:12:24.832+01:00</updated><title type='text'>recado moralista, odioso, pretensioso e outras coisas detestáveis terminadas em -oso</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;“De manhã, sai da trincheira, limpa a espingarda, retira com cuidado&amp;nbsp;o sangue da baioneta.” Não há humor negro, nem outras coisas de outras cores,&amp;nbsp;que possam fazer eco dessa situação, frase há muito escrita. A vida é demasiado ambiciosa para se contentar com pequenos apontamentos em caderno de jornalista amador ou de escritor de armário. Disseram-te que não havia mais baionetas como as dos filmes. São diferentes as coisas agora, já percebeste. Tudo se mostra mais evoluído, a arte de matar frente-a-frente é mais eficaz, mais eficiente, empreendedora, como se diz agora acerca de tudo o que cabe na categoria das acções ou factos que impelem os pés esquerdo e direito da vida a suceder-se para que nada caia,&amp;nbsp;por efeito pecado da inércia, essa luxúria ociosa que nada traz além de pensamento solto e contemplação. Não te submetas&amp;nbsp;à tentação de parar, hábito vicioso,&amp;nbsp;como olhar o espelho e&amp;nbsp;ver nele os sulcos que a parte pior&amp;nbsp;do que és&amp;nbsp;foi traçando, no rosto e no espelho. Será razoavelmente inelutável que tomes atalhos, que não vejas o nascer do sol como uma bênção, que sintas, a cada dia, mais umas horas de vigília como o inevitável, a grande fatalidade de rastejar&amp;nbsp;como sinédoque do&amp;nbsp;voo livre. Por cada nascer do sol, menos um dia no teu calendário pessoal. Deixa que te diga, sabendo que dispensas (smepre dispensaste)&amp;nbsp;o meu sarcasmo: estás na vanguarda da morte em suaves prestações, valha-te isso, sem baionetas nem sangue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4208723939031449806?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4208723939031449806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4208723939031449806' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4208723939031449806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4208723939031449806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/07/de-manha-sai-da-trincheira-limpa.html' title='recado moralista, odioso, pretensioso e outras coisas detestáveis terminadas em -oso'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3821513046294012553</id><published>2011-06-11T21:38:00.003+01:00</published><updated>2011-06-27T11:07:35.181+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onze de Julho de mil novecentos e setenta e oito. Chuva  quente, trovoada à solta, céu em revolução, terra em sobressalto. Corrente  eléctrica poderosa descreve riscos no escuro, coisa de garras afiadas na noite.  Maria dos Anjos sabe que só eles lhe podem valer se a chuva durar mais do que  uma missa vespertina do padre Diocleciano na capela de S. José. O buraco no  telhado não perdoa, nem a falta de dinheiro para chamar o pedreiro. A dignidade&amp;nbsp; perdoa ainda menos. Desde que o pedreiro lhe confirmou que o orçamento do arranjo era  quase um conto de reis ou meia hora a resfolgar pelo chão, juntava dinheiro ou&amp;nbsp; arranjava maneira de conter a água.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parou a chuva, a terra húmida e quente. Saíu de casa e olhou  o campo em frente. Parecia que fumegava, a terra. Deu mais uns passos, dois ou  três, e ainda havia relâmpagos por perto. Raio de noite, aquela, com as trovoadas  no campo raso e todo aquele céu por cima dela e do filho que lhe nasceu dois  meses antes do pai do filho se ter ido embora. As mãos caídas, sentiu restos de  chuva atrasada a molhar-lhe o cabelo. Deixou cair a cabeça para trás,  lentamente, e ficou assim um tempo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordou no dia seguinte, o sol já alto, tudo como dantes, o  filho a chorar-lhe ao lado uma lamúria. As roupas rasgadas, as plantas dos pés  feridas, as mãos arranhadas com um molho de cardos, caído ali ao lado em  desalinho. Não se lembrava de nada. Doeu-lhe o corpo por mais três dias e a alma  por outros tantos. Cresceu o filho mais depressa do que todos os outros da  freguesia, tomado de um adubo com o aroma acre do mistério. Dizia-se, porque  sempre nestas coisas se dirá algo, que havia ali coisa, que já a mãe era igual e  que o homem tinha desaparecido porque ela o matara. Nós, que sabemos tudo  sobre ela, afiançamos que nada de extraordinário aconteceu. Nem um raio lhe  mudou a vida. Vida de um raio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Este texto tem a mesma origem do anterior. Ambos faziam parte de umas coisas a que chamei de micro-narrativas bizarras. Bizarria em dose moderada, narrativas fraquinhas. Ficam, ainda assim, para um ou outro par de olhos que passe aqui. Sempre uma boa conta, um ou dois pares de olhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3821513046294012553?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3821513046294012553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3821513046294012553' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3821513046294012553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3821513046294012553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/06/onze-de-julho-de-mil-novecentos-e.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1607407141433727203</id><published>2011-06-11T21:35:00.000+01:00</published><updated>2011-06-11T21:35:20.961+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ernâni tinha três olhos, dizia-se. Tinha uma mancha no meio  da testa, o Ernâni. Naquela noite, matutou à beira do lume, sentado no banquinho  de madeira tapada pela gordura do fumo. Era velho, o fumo, mais velho que as  duas tias solteironas. Ernâni tinha dois olhos, uma mancha estranha, como se de  um olho da sua mente para o exterior se tratasse. E tinha um nome estranho, mais  estranho que as duas tias solteironas que o guardavam. Torres em tabuleiro de  xadrez, as manas Luzeiro, as tias, cediam-lhe o centro quando caminhavam,  solenes na rua. Ir e vir de missa, ir e vir solteiro a ver o padre novo, com  músculos de varão do campo. Naquela noite, matutou Ernâni, tanto quanto a noite  o matutou a ele. No dia seguinte foi-se pelo coelho, no local em que o avistara,  puxou-o para fora da toca, matou-o com uma pancada seca. Chegou ao adro da  igreja e ali, à vista de todos os que não tinham manchas na testa nem olhos da  mente a fazer de manhcha na testa, empapou-o em petróleo e puxou-lhe fogo. Todos  passaram a saber que o Ernâni tinha um pacto com o Mal. Sabiam-no tanto como  conheciam em profundidade a sua mancha na testa. Nesse dia, Ernâni tinha mais do  que um nome estranho, três olhos na cara e duas tias a esbanjar mofo, roupas  ridículas e cheiro a velha sentada em cadeira de palha: tinha medo de si  próprio. Passou a fazer a barba às escuras, e sem espelho. Passou a dizer-se que  via no escuro. Cresciam os poderes, matutava Ernâni. Ainda hoje matuta Ernâni,  no escuro matuta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Este texto estava alojado em outro blog, cuja autora principal e anfitriã resolveu, não sei se dogmaticamente, votar ao abandono, digo eu, não isento de eventual juízo precipitado. Fica aqui agora, para ser visto por uma meia dúzia de olhos, aqueles que, em média passam por aqui. É uma boa conta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1607407141433727203?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1607407141433727203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1607407141433727203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1607407141433727203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1607407141433727203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/06/ernani-tinha-tres-olhos-dizia-se.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-6235697766437527332</id><published>2011-06-10T16:02:00.004+01:00</published><updated>2011-06-10T21:38:52.680+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;António Contreiras era um dogmático. Sempre o fora e, toda a sua vida, buscara com desespero uma noiva que o fosse também. A vida fora-lhe leve, apesar de suada a demanda da dogmática com a qual, em estreita cooperação, edificaria a torre de gelado de baunilha que lhes serviria de tecto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passaram três anos sobre a data na qual pedira em casamento Alzira 'Zirinha' Estrompa. Alzira declinara, alegando que gostava dele, que tinha expectativas elevadas relativamente à gratificação sexual, especialmente desde que o vira de tanga, na praia, no dia em que Genoveva Barata surgira nua em todo o seu esplendor. Contudo, continuara Zirinha, o coito não era todo o sexo e o sexo&amp;nbsp;não era tudo e, sabia-o ela bem, o trabalho de Contreiras na repartição da Segurança Social convertera-o num burocrata. Ora, rematara Alzira, ela julgara-o um dogmático, crera-o dogmático puro, apaixonara-se e empenhara dogmaticamente a sua virgindade;&amp;nbsp;tudo o que não poderia acontecer seria&amp;nbsp;cair num burocrático logro. Terminara assim o namoro, ficara adiado &lt;em&gt;sine die&lt;/em&gt; o dogmátco orgasmo, caíra António num dogmático marasmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Subiu Tonho Contreiras, nesse mesmo dia, à torre da Igreja Matriz e, de lá, se precipitou, tão dogmaticamente como viera ao mundo. De um buraco para o outro, pó regressado ao pó numa inexorável coerência dogmática.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Para quem me quiser despedir: este ignóbil e paupérrimo texto foi escrito numa reunião oficial e dogmaticamente&amp;nbsp;consagrada ao trabalho em prol da Coisa Pública, no dia 26 de maio de 2010.&amp;nbsp;Encontrada foi a historieta, em vias de reciclagem, um ano depois da dita reunião; desta, nem rasto, nem memória. Fraco trabalhador ou ausência de trabalho? Nunca saberei&amp;nbsp;especialmente porque não&amp;nbsp;investirei uma única sinapse neuronal no apuramento dessa dogmática verdade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="hps" title="Clique para obter traduções alternativas"&gt;Ich bin&lt;/span&gt; &lt;span class="hps" title="Clique para obter traduções alternativas"&gt;nicht&lt;/span&gt; &lt;span class="hps" title="Clique para obter traduções alternativas"&gt;eine ernsthafte&lt;/span&gt; &lt;span class="hps" title="Clique para obter traduções alternativas"&gt;Arbeiter...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-6235697766437527332?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/6235697766437527332/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=6235697766437527332' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6235697766437527332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6235697766437527332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/06/antonio-contreiras-era-um-dogmatico.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1481006329940734025</id><published>2011-04-19T16:53:00.003+01:00</published><updated>2011-08-16T21:58:56.939+01:00</updated><title type='text'>frios, liberdades, ficções e realidades da memória</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uma espécie de familiaridade entre o frio e muito da minha memória de mim.  Não sei se alguma vez conseguirei compreendê-la, se existe há muito ou é&amp;nbsp;construção recente, se a sei explicar. Posso tentar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me, porque as histórias começarão quase todas por aqui, ou porque agora me apetece que fique escrito assim, de experimentar, sem&amp;nbsp;qualquer desconforto,&amp;nbsp;frios, frios de criança, de adolescente, de tempos não tão remotos assim só porque a vida é mesmo curta. Nada de novo nesta constatação pseudo-qualquer-coisa, apenas um reforço da necessidade de perspectivar a escala, desnecessário talvez. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me de estar na praia. A praia era o espaço da liberdade, o tempo de ser hippie antes de ser conservador, hiper-consciente das convenções e o regresso ao não saber o que isso e outras coisas são. É o espaço ao qual volto sempre que o desejo é mais forte. Talvez seja por haver falésias, das quais saltou muito do que sou, todo ou em partes, a qualquer hora, ou por conhecer a palmo as rochas, entrando, na maré baixa, mar adentro, com luz de sol ou de lua. Mar adentro, literalmente. A recompensa estava no poder cantar alto, a coberto do ruído das ondas, no ‘caneiro das safias’, ou o poder passar para a praia do lado, a ‘praia dos calhaus’ e ir até à ‘rocha negra’ fora das horas convencionais de aí estar, ou o poder voltar, depois de uma pequena aventura solitária destas, como se tivesse ido ao único café de então comprar um gelado com o dinheiro das férias quando, de facto, tinha transposto o limiar dos meus medos. No tempo das regras e da obediência, a praia, isolada da vila, a casa na praia, o cheiro à madeira das paredes e à pele salgada e tocada pelo sol no próprio corpo foram uma espécie de utopia que assumo como mais de hoje do que de então. Eram aventuras no não-lugar sem herói, viagens ao centro da minha terra, pedaços de vida trazidos pelo frio, nem sei bem porquê, trazidos por dias como o de hoje, frios, pela manhã fria, depois do calor de ontem, eventualmente com alguma humidade inesperada no ar. Nestes dias quase posso sentir que o caminho para mais um dia de universidade, de professor-burocrata esmagado pela auto-comiseração, no estúpido contornar de meia dúzia de rotundas, evoca os dias do acordar na casa da praia e sair para a rua, o olhar para o céu cinzento e saber que não valia a pena vestir mais do que uns calções de banho e uma blusa por cima da t-shirt porque se estava sempre meio pronto para saltar para a água, ou para caminhar pelo carreiro no alto da falésia, para o lado do pinhal que entretanto ardeu. E era esse o frio da esperança, o das pernas frias como promessa de que, como em tantos dias, naquela Praia do Monte Clérigo, o sol apareceria ou, em alternativa, o corpo não faria concessões e iria para o mar, saltar ingénuo e livre numas ondas geladas, independentemente de tudo e de todos. Era também o frio de ir às compras no Mini vermelho do meu avô, FO-48-93, ou no Ford Cortina dos meus pais, EB-54-52, os mesmos calções, as mesmas pernas frias no cedo da manhã, à espera de que as compras não demorassem e os sete quilómetros até à vila de Aljezur e volta pudessem ser feitos à velocidade do pensamento, do meu. Recordo-me que esse frio está ligado ao ouvir a voz do meu avô a resmungar contra os fascistas que o 25 de Abril tinha derrotado mas que andavam, segundo ele afirmava, ‘encapotados’ em todos os partidos à direita do Partido Comunista, fosse lá isso o que fosse, a esquerda e a direita do meu avô. O Partido Comunista era, para ele, a construção de uma casa onde protestar era legítimo, independentemente da idade e relativamente à qual criou, por força de muitos factores que agora não me apetece explorar, a ideia de um sucedâneo de família ideológica, uma casa dos que compreendiam a luta, fosse lá isso o que fosse. E debitava todos aqueles lugares comuns de um marxismo-leninismo fabril, ideologia compactada. E o frio de esperança andava por todos esses lugares, nessas fronteiras entre a autoridade e a transgressão, a poesia a formar-se e a realidade a mostrar-se, o possível e o impossível, o respeito e uma saudável iconoclastia, mar e terra, céu e sol, lugares comuns da minha ideologia que eu julgava de Verão. Sou hoje muito mais aquele rapaz do que, durante muito tempo, pensei ser, muito mais militante da liberdade do que julgava possível, uma militância pelo direito ao prazer sem custo associado, pelo direito a andar salgado, sem cheirar a gel de banho, pelo direito a&amp;nbsp;dormir descansado&amp;nbsp;com areia na cama, pelo direito comer o que houver, quando puder ser ou apetecer, a andar na praia seja a que horas for, pelo direito a cantar, a gritar palavras de amor ou frustração aos salpicos das ondas, pelo direito à memória que só o ócio traz, pelo direito ao frio, a este frio, ao meu frio nas pernas como promessa do prazer futuro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1481006329940734025?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1481006329940734025/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1481006329940734025' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1481006329940734025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1481006329940734025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/04/ha-uma-especie-de-familiaridade-entre-o.html' title='frios, liberdades, ficções e realidades da memória'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-771448276868021680</id><published>2011-03-05T12:56:00.004Z</published><updated>2011-03-05T13:11:34.931Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Acordas com as articulações meio doridas. A noite foi de sono, suor e frio entremeados. Arrastas-te pelas rotinas do corpo. As da alma já as baniste, devoram-te pedindo que lhes dês forma. E tu, enquanto o teu corpo cumpre as rotinas da manhã, perspectivas-te no espelho feito por mãos tuas. E nele te vês, herói, uma espécie de Aquiles sem o calcanhar. Sabes, bem demais, que és mais calcanhar sem Aquiles que outra coisa qualquer, que vais acabar num acidente, numa cama de hospital ou na tua de casa, alagado no sangue do teu ponto vulnerável. És tu todo a tua própria&amp;nbsp;vulnerabilidade e nunca, mesmo nunca, foste herói do que quer que fosse. Foi assim que enganaste a vida e o teu sonho, nessa decepção sedutora de que, um dia, serias diferente da tua velha tia que vias nas férias. Ao lado da arca frigorífica dos congelados, depois de te ter perguntado pela família e pelo ano todo, passado a três horas de caminho, vomitava-te as poesias intermináveis que tinha feito, começando pelas mais recentes, passando por citações da sogra dela, tua bisavó, os versos independentes do que corre nas veias. E tu suportavas aquilo, sorrias, compravas os congelados na mercearia da terra com um até depois, com muita saúde e muito gosto pelo reencontro. E tu sabes hoje, bem demais, que és tu, a tua tia e a arca frigorífica dos congelados num só, nisso em que te tornaste, um cidadão de pasta&amp;nbsp;na mão e um fatinho conceptual rumo&amp;nbsp;ao trabalho,&amp;nbsp;bípede em trânsito para matadouro,&amp;nbsp;conformado porque alguém comerá a carne e será feliz por isso, alguém se saciará e disso precisava. Funções sociais cumpridas, sacrifício que paga o ar que se respira.&amp;nbsp;E montas a tua arca de congelados, com as postas de peixe em sacos, os grãos de ervilha e os espinafres porque todos temos de ir à mercearia. E sentas-te tu, paciente à espera que chegue a tua tia declamadora. Pelo meio, vais cumprindo as tarefas à laia de rato em labirinto mutante. A cada dia, o desafio de saberes porque fazes o que fazes e porque o fazes tão mal.&amp;nbsp;Entretanto, chega a tua tia ao teu gabinete e começa a pôr na mesa&amp;nbsp;palavras como estas, justapostas, e tu&amp;nbsp;consegues partilhar&amp;nbsp;do prazer que ela&amp;nbsp;tem.&amp;nbsp;Dás-lhe&amp;nbsp;tempo, afinal, tens de escolher os congelados com critério, não desperdiças tempo porque tens o fatinho vestido e isso significa que esperas pelo inelutável no matadouro&amp;nbsp;enquanto és o tu possível no local do ter que ser.&amp;nbsp;Talvez acabes congelado, numa arca daquelas, num saco com uma etiqueta&amp;nbsp;na qual&amp;nbsp;talvez estejam impressos, ainda que&amp;nbsp;por engano, uns versos da tua tia a louvar o sol, o mar e a loucura de ter que atirar palavras, nem que seja ao vento para que as leve. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-771448276868021680?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/771448276868021680/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=771448276868021680' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/771448276868021680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/771448276868021680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/03/acordas-com-as-articulacoes-meio.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4255152614061262816</id><published>2011-03-02T19:52:00.005Z</published><updated>2011-03-09T21:50:18.090Z</updated><title type='text'>.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouves vozes de pessoas que detestas. Detestas pessoas sem saber porquê. Incomodam-te, faz-te impressão a sua alegria por coisa pouca, o seu entusiasmo a partir de nada relevante, as rotinas idiotas que trazem tanta euforia. E pensas, com todo o teu desprezo, que não deveria ser assim, que há tantas coisas que podem caber dentro da felicidade, tantas mesmo... estas não.&amp;nbsp;Dentro da felicidade não cabem as vozes das pessoas que detestas e ouves no corredor. Amanhã estarão por aqui de novo e tu também. Não te gastes com isto. Como alguém amigo te dizia ontem, não deixes que o quotidiano te coma demasiado. Esquece a felicidade dos outros julgada por ti. Pega tu nas tuas coisas e faz algo de iconoclástico e pretensioso, como escrever poesia num gabinete de burocrata, em horário de expediente; ou então começa cada aula que dás com uma poesia que abane os pilares do mundo, o teu, o dos alunos, sem que tenhas de fazer qualquer ligação entre o que leste e o que vais fazer para ganhares o pão nosso de cada dia e tal. Ficará tudo na mesma, talvez. Suspeito que talvez consigas começar tu a comer o quotidiano, às dentadas, pequenas e ousadas, subtis e devastadoras. Agora, copia isto e publica no teu blog, sem mais adjectivações supérfluas.&amp;nbsp;Isso. Desta vez, não faz mal ser obediente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4255152614061262816?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4255152614061262816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4255152614061262816' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4255152614061262816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4255152614061262816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/03/ouves-vozes-de-pessoas-que-detestas_02.html' title='.'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-8607646057329201935</id><published>2011-02-16T19:24:00.005Z</published><updated>2011-02-25T22:05:47.531Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia é nove de fevereiro deste ano de dois mil e onze. É dia de letras, as letras de um dia sem história, vazio, dia de retaliação e terror gratuitos. Ocorre-me tomar o esquecimento como remédio. Deixaria de ser eu mas seria outro eu, outra coisa, um vazio preenchido. Brilha o sol lá fora. E brilha também hoje. &lt;br /&gt;O dia de hoje é&amp;nbsp;qualquer coisa&amp;nbsp;de fevereiro do mesmo ano de dois mil e onze e, do céu, descem furiosas gotas de água e pedras de gelo sobre quem passa. Quando o sol imprevisto, loucura de dia cinzento, incide nas poças de água que se formam aqui e ali, junto aos passeios,&amp;nbsp;antes de serem esvaziadas pelo passar dos carros, a pedra da muralha de Évora fica cor de terra seca e de seara madura, lugar comum por estes lados. Toca a esta hora o sino fraco a avisar quem veio ver os mortos, seus ou alheios ao cemitério.Ouve-se o sino ao sol, como se caísse lentamente a noite e precisassem os mortos de ficar em casa, sem mais incómodos de visitas. Dentro das paredes do cemitério nada haverá, além de morte e, nessa morte de sepulcros brancos de mármore&amp;nbsp;e corpos deitados, de terra seca e molhada, há todo um cenário de raios de luz amplificados, uma claridade paradoxal que atrai, muito além dos ciprestes de má fama.&amp;nbsp;Diz-se, não importa se é assim ou não, que na morte se atravessará um túnel e haverá uma luz&amp;nbsp;extasiante que cega e tudo o mais. Há, num cemitério de túmulos brancos de mármore, em momento de loucura solar, luz mais do que suficiente para que um vivo sinta que não está no seu mundo. Que não se percam os vivos em cemitérios destes, pensariamos nós. Toca, último aviso,&amp;nbsp; a sineta que avisa os vivos. A hora avança e faltam agora três minutos para as dezassete. Sai quem tem hora para sair, fica quem não respeita já ou nunca respeitou essas convenções. Não usarão relógio os mortos do cemitério dos Remédios, em Évora, aqui ao lado do carro onde espero que a aula de música do meu filho acabe. Vai chover outra vez quando abro a porta do carro e saio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-8607646057329201935?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/8607646057329201935/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=8607646057329201935' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8607646057329201935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8607646057329201935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/02/o-dia-e-nove-de-fevereiro-deste-ano-de.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-6106006976033096585</id><published>2011-01-16T16:52:00.018Z</published><updated>2011-01-19T10:59:37.379Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começou, a dada altura, não interessará muito precisar quando, a falar com os pássaros. Primeiro encostava-se à parede do lado de fora da casa a remoer a solidão. Estava só e a casa parecia-lhe mais húmida, mais escura, sobredimensionada. Não formulou as coisas assim. Faço-o eu porque li isto nos seus olhos. Impossível sair para outra casa, outro lar, outra promessa de conforto para uma determinação impenitente de se arrastar pelo final da vida, à laia daquele sono que começa a chegar prematuramente ao serão. Em criança tinha o hábito de falar com os pássaros e os irmãos diziam-lhe que era meio aluada. Depois passou-lhe, disseram os irmãos também.&amp;nbsp;Fez a vida toda, quase noventa anos de noite, dia, chuva e sol, rotina cósmica. Partiu&amp;nbsp;o marido, ficaram os filhos, somaram-se&amp;nbsp;as perdas, vieram&amp;nbsp;os netos.&amp;nbsp;Cediam as peças da sua infância, da juventude, da guerra, de mulher madura, uma por uma. &lt;br /&gt;Passou a&amp;nbsp;fechar a porta da frente, a que dava para a rua. Restringiu o seu mundo à porta que, da cozinha, dava acesso ao quintal, nas traseiras da casa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começou, a dada altura, a falar com os pássaros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dava-lhes os seus pesadelos meio difusos e o arroz que não comia. Traziam-lhe os pássaros uma paz sem compromissos, uma gratidão feita de bicos e penas, sob o limoeiro.&amp;nbsp;Carregavam no voo&amp;nbsp;as penas dela, uma ou outra lágrima. Por vezes&amp;nbsp;riam-se muito, ela e os pássaros. Falou nisso ao neto. Ele sorriu e teceu um comentário qualquer que soou a veredicto cinzento de senilidade. Provavelmente, sempre falou com os pássaros. Lembrou-se o neto de, um dia, ter visto a avó a guardar na mão um pardal caído do ninho. Fez a avó uma tala para o pardal. Lembrou-se&amp;nbsp;o neto de que a viu falar para a palma da mão, um murmúrio, um sopro de vida que o levantou um pouco do chão. Ao voltar da escola, perguntou-lhe o neto pelo pardal e respondeu a avó que o pardal tinha ido à vida dele, que "estar por aqui onde ninguém sabe falar com ele, onde ninguém voa e onde toda a gente lhe pode fazer mal... tu não gostavas, pois não?" Pensou mais tarde&amp;nbsp;o neto que o pássaro tinha morrido e que aquilo fora conversa para consolar criança. Pensou o neto, vinte anos mais tarde, que isto de falar com os pássaros era coisa que a avó sempre tinha feito. E, já de regresso à sua casa, pensou naquela&amp;nbsp;cumplicidade e em como a avó era mais do&amp;nbsp;ar já do que da terra. Dir-lhe-ia, na próxima visita, que a compreendia, que percebia e que achava bem que ela tivesse aqueles amigos, procurando não parecer um pai que aceita os amigos do filho adolescente como uma inevitabilidade, ou um neto condescendente face à aurora suave da demência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca chegou a dizer, como seria previsível, como sempre acontece quando contamos estas coisas que são verdade ou não.&amp;nbsp;Nunca dizemos tudo. Por vezes, vezes demais, não dizemos absolutamente nada. Perdemos a coragem,&amp;nbsp;perdemos o tempo e as oportunidades&amp;nbsp;são pouco complacentes para connosco.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começarei a falar com os pássaros.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-6106006976033096585?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/6106006976033096585/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=6106006976033096585' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6106006976033096585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6106006976033096585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/01/comecou-dada-altura-falar-com-os.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4645120604796002508</id><published>2011-01-04T21:58:00.003Z</published><updated>2011-01-16T22:37:07.323Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='finais de dia c sabor a fim'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;Se te perguntar coisas banais, como 'a que te sabe a água', o que responderás?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Provavelmente responder-me-ás que não tenho legitimidade, de qualquer natureza, cheiro ou formato para o fazer. Dir-me-ás que me intrometo, que faço correr ligeira a lâmina de uma qualquer foice em seara alheia. Ficarás descansado quando deixar de me preocupar contigo. Sentirás um alívio feito todo todo de coisas banais, daquelas sobre as quais não te pergunto nada, de água mole.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Sairás de casa apenas porque sabes que ela não pode seguir-te, a casa. Queres algo dramático? Sabe que ouvirás, à noite, os cães vadios a latir...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Boa noite. Tudo bem? Que tal o dia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Estava para aqui a fazer a lista das compras... Tudo bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ainda bem. Estou exausto, vou-me deitar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Fazes bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;... e vais saber que ladram à minha passagem. Que virei todas as noites atormentar-te nesse teu sossego de dormir ao fim do dia, morto-vivo. Onde estiver, ser-me-ás indiferente, mesmo quando passar para que os cães dobrem por ti. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Papel sobre a mesa. Sabe ler mesmo quem tem vida de cão. Dorme.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4645120604796002508?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4645120604796002508/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4645120604796002508' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4645120604796002508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4645120604796002508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2011/01/se-te-perguntar-coisas-banais-como-que.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5347497910965178568</id><published>2010-12-30T16:49:00.002Z</published><updated>2010-12-30T18:01:34.793Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family: URWPalladioL; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-family: URWPalladioL; font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Para além do frio magnético, para além da Morte em campos azuis, segue o meu desejo de devorar searas sem rasto de destruição. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;De sangue, luz, palavras&amp;nbsp;e sabedoria bizarras se fizeram milagres em batalhas e se acumularam corpos com pouca ou nenhuma vida. Baralhos de corpos sem Rei dispostos por naipes. Ao longe, bem longe mas ainda do lado de cá do horizonte plúmbeo, fogueiras ardem. Alguém saberá por que razão aquela madeira arde e porque se eleva o fogo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Para além do que foi, muito além do meu desejo, ardem searas já ceifadas e limpos ficam os campos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Para além de mim, são percorridos campos como sinal de respeito, a pé, em passo certo e grave, olhos nas fogueiras extintas ao fim da noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5347497910965178568?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5347497910965178568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5347497910965178568' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5347497910965178568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5347497910965178568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/12/para-alem-do-frio-para-alem-da-morte-em.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-6064492599781065019</id><published>2010-12-24T12:55:00.000Z</published><updated>2010-12-24T12:55:20.745Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Colecção de fósforos em noite fria, como a vendedora de fósforos da história que ouviste em casa quente, há anos. Guardas os fósforos, tentas que se mantenham secos. Não chove, apenas fica mais frio. Vão desaparecendo as pessoas da rua. Ficas com a rua e o frio todos só para ti e para os outros como tu, pouco te importa.&amp;nbsp;Lá para meio da madrugada, conseguirás dormir, animal sobrevivente, enrolado nos cobertores velhos, nos jornais novos, presente do Deus Menino. Adormeces então e sonhas. Com fósforos e gasolina incendeias o mundo de uma raiva nova, toda tua e rebenta a tua Revolução, feita de fogo e mágoa à beira-dor plantada, à Tua imagem e semelhança, carne da tua carne. Do calor do sonho morto nascerá a possibilidade de um novo amanhecer. Encher-se-á a rua de gente feliz, como nas histórias, ainda que seja para contrastar contigo neste cenário de ricos e pobres, felizes e caídos em desgraça. Serás figurante na tua própria vida e olharei para ti, ao passar. Pensarei como poderia fazer algo por ti, se e se e se. De se em se até à porta do meu carro aquecido, na minha vida infeliz de acordar difícil. &lt;br /&gt;Quando chegar a Hora da tua Revolução, pedirei que me leves contigo, a mim, àqueles que precisam de fogo,&amp;nbsp;numa noite em que correremos pelas ruas e lançaremos&amp;nbsp;chamas e caos&amp;nbsp;pela cidade.&lt;br /&gt;Natal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-6064492599781065019?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/6064492599781065019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=6064492599781065019' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6064492599781065019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6064492599781065019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/12/coleccao-de-fosforos-em-noite-fria-como.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7011354604532213870</id><published>2010-12-11T18:03:00.008Z</published><updated>2010-12-13T22:28:02.032Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teces teias. Teces incansáveis teias, como tu, incansável nesse tecer de cordões umbilicais feitos fibra dura. Não será por mal, dizes tu, e teces teias. E na teia tecida e por tecer, vibram as presas da tua necessidade de estar omnipresente, de reduzir a identidade ao tempo em que não se era ainda, ao tempo em que o todo organicamente existia. Teces teias e incitas a uma violência de subentendidos e insinuações. Não é por mal, dizes, e teces teias de vício, sempre&amp;nbsp;velho, de&amp;nbsp;pretenso messias, comandante de oníricos exércitos redentores.&amp;nbsp;Teces e teces até à náusea, a tua própria própria teia, a tua própria náusea.&amp;nbsp;Pode acontecer que&amp;nbsp;te tenhas&amp;nbsp;erguido do pó&amp;nbsp;ao conceberes essa ideia seminal de que, sem&amp;nbsp;as ditas&amp;nbsp; e reditas teias, não podes sobreviver, de que a ausência de tensão equivale a vazio ontológico.&amp;nbsp;Talvez&amp;nbsp;o tempo,&amp;nbsp;a vontade ou a falta desta te privem do amor, daquilo que&amp;nbsp;não&amp;nbsp;é compatível com jugos, juros e cobranças, de ver que a liberdade implica o Todo.&amp;nbsp;Ninguém que teça ou caia numa teia experimentará sequer o voo emancipatório.&lt;br /&gt;Vidas de voo em simulador, vidas pesadas. Seria bom experimentar a leveza de tentar viver.&lt;br /&gt;O amor tece luz entre as vidas e escreve, em caligrafia clara, Cartas de Alforria.&amp;nbsp;Acredito que o hábito pode não fazer o escravo, mas deduzo que não escreverás a tua. As Cartas de Alforria não são para quem pode, são para quem Quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"[...] a liberdade, unicamente a liberdade." &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;(Bernardo Soares, &lt;em&gt;Livro do Desassossego&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7011354604532213870?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7011354604532213870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7011354604532213870' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7011354604532213870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7011354604532213870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/12/das-teias-sem-aranhas.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3082118720361725803</id><published>2010-12-08T19:22:00.001Z</published><updated>2010-12-08T19:23:35.135Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>A distância faz-se de fios entretecidos e de fumos de escape. &lt;br /&gt;O correio atravessa as linhas paralelas do eléctrico e faz-se luz num sortilégio de pólvora.&lt;br /&gt;A cortiça flutua em pântano.&lt;br /&gt;A corrida começa sem disparo de pistola e sem barreiras por obstáculo. &lt;br /&gt;O papel recebe palavras que a chuva leva e o chão desfaz&amp;nbsp;à passagem dos sapatos e dos pneus dos automóveis sem dor.&lt;br /&gt;O corredor da casa&amp;nbsp;perdeu o norte nessa causa&amp;nbsp;de ser&amp;nbsp;artéria de quartos de hotel.&lt;br /&gt;Foge a fuga, morre a morte, hoje.&lt;br /&gt;Fecham-se as sagas com dragões e heróis de capacetes flamejantes, poderes desconcertantes, e coisas terminadas em antes, como dantes.&lt;br /&gt;Morrem as sagas pelas chamas, ardem os livros sem fuga. &lt;br /&gt;Voa a morte, voa a morte, voa a morte, plana. Plana a morte porque gosta de planar, como a carta pela ranhura da caixa de correio pantanoso.&lt;br /&gt;Desce o eléctrico nos carris chuvosos. Desce até à artéria central da cidade, num sublime banho de explosivos coloridos e de aromas estivais. &lt;br /&gt;Desce o eléctrico enquanto a morte plana, ambos serenos, ambos serenos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3082118720361725803?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3082118720361725803/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3082118720361725803' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3082118720361725803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3082118720361725803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/12/distancia-faz-se-de-fios-entretecidos-e.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-112152809802932991</id><published>2010-11-27T11:54:00.001Z</published><updated>2010-11-27T11:59:54.154Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='finais de dia c sabor a fim'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;'Segredo' era a palavra por derás dos olhos dela, dizia-se a si próprio. Quando, num jardim, olhava as flores presas à raíz,&amp;nbsp;pensava em como a beleza, aquela beleza,&amp;nbsp;está sempre refém de algo&amp;nbsp;e, talvez,&amp;nbsp;de&amp;nbsp;alguém&amp;nbsp;que a nutra. Por detrás dos olhos dela sentia um outro tipo de palavras para&amp;nbsp;significar beleza.&amp;nbsp;Livre, absoluta, devastadora, o segredo.&lt;br /&gt;Viu-a partir, dona de si, do seu jardim, da sua beleza, alheia ao amor alheio. &lt;br /&gt;Todos os dias passava fazia aquele caminho, na esperança de que a porta se abrisse e por ali passasse aquele olhar-segredo que se cruzaria com o seu. Viveu suspenso entre o medo e a esperança. Irmãos de sangue, o medo e a esperança. &lt;br /&gt;Hoje, repito, hoje, viu-a partir, dona de si, alheia ao amor alheio, com uma pequena mala e um andar de despedida. Eram quase nove horas, das da noite,&amp;nbsp;e ainda havia luz de sol&amp;nbsp;suficiente para distinguir as&amp;nbsp;cores do vestido tépido, as alças finas, os ombros esplendentes nos quais carregou, até à esquina e nunca saberemos por onde mais, o desejo alheio. Mais umas horas e a lua nova inundaria tudo com a sua sombra. Tudo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-112152809802932991?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/112152809802932991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=112152809802932991' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/112152809802932991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/112152809802932991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/11/o-segredo-era-palavra-por-deras-dos.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7091180549855595598</id><published>2010-11-21T18:17:00.002Z</published><updated>2010-11-22T22:32:10.761Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;memorāre&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes bem que perdes a memória. Se há coisa que sabes, por paradoxal que pareça, é isso. Tudo o resto te vai passando ao lado, a tua própria sombra. Nada mais parece restar, então. Ficou-te o&amp;nbsp;piar da coruja,&amp;nbsp;à noite, e o cantar do galo pela manhã. Isso te servirá de recordatória de que o sol desce e sobe num horizonte que já nem é teu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À tua volta degenera tudo o que os teus sentidos alguma vez alcançaram.&amp;nbsp;Dilui-se, em tudo, o sentido primeiro. Não te reconheces, não reconheces ninguém, não conhecerás ninguém mais. Sabes apenas que perdeste a memória ainda que já não te faça diferença&amp;nbsp;se ainda tens alguma noção do que isso é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viveste&amp;nbsp;os&amp;nbsp;teus dias com a angústia de uma morte próxima,&amp;nbsp;o nariz apurado para sentir&amp;nbsp;à distância&amp;nbsp;algum mal difuso&amp;nbsp;pronto a corroer-te o corpo e levar-te daqui numa espiral de&amp;nbsp;dor física e sofrimento que sempre afirmaste&amp;nbsp;como insuperável.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Agora, que isto te&amp;nbsp;vai apagando com paciência,&amp;nbsp;não podes&amp;nbsp;sentir o gozo fundo do único&amp;nbsp;prazer que te poderia dar: o seres embalado para a morte,&amp;nbsp;docemente talvez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7091180549855595598?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7091180549855595598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7091180549855595598' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7091180549855595598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7091180549855595598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/11/sabes-bem-que-perdes-memoria.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-8475631315806743072</id><published>2010-11-12T21:02:00.000Z</published><updated>2010-11-12T21:02:06.478Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>O som dos pés&amp;nbsp;nus ao subir a&amp;nbsp;árvore, o toque da tua mão no meu cabelo, memórias pueris forjadas pelo desejo, como outras. O rodar num campo indefinido até cair e o ver-te cair e tentar proteger-te na queda.&lt;br /&gt;O perfume da erva, da qual escusadamente se dirá que era verde, verde, um fundo de mar, iludido pelo teu perfume doce de frutos e resina.&lt;br /&gt;Faz-se o presente desse cimento colorido, desejo nascido antes de tudo o resto, memória eventual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-8475631315806743072?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/8475631315806743072/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=8475631315806743072' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8475631315806743072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8475631315806743072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/11/o-som-dos-pes-ao-subir-o-toque-da-tua.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3077082458815877710</id><published>2010-11-12T20:48:00.000Z</published><updated>2010-11-12T20:48:21.916Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Perto do espelho, onde a espessura da máscara diminui e se liquefaz, sinto-me estranho.&amp;nbsp;O&amp;nbsp;meu compromisso&amp;nbsp;com o que&amp;nbsp;sou não&amp;nbsp;me deixa tanto espaço para o compromisso&amp;nbsp;com o que tenho sido.&amp;nbsp;E sou&amp;nbsp;o mesmo,&amp;nbsp;sendo outro, mais autêntico. No reajustamento da minha configuração tectónica, é complicado compreender a amplitude dos abalos. E há pequenos sismos, consistentes, com réplicas diárias que têm aroma de verdade.&lt;br /&gt;E vai-se diluindo a estranheza, talvez. E vai ficando menos pesado o acordar pesado para o dia que queria riscar do calendário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3077082458815877710?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3077082458815877710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3077082458815877710' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3077082458815877710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3077082458815877710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/11/perto-do-espelho-onde-espessura-da.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-241241965414498094</id><published>2010-11-11T09:58:00.001Z</published><updated>2010-11-11T09:58:46.110Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Exponho a luz, disponho objectos, um por um, no parapeito da janela.&lt;br /&gt;Iluminados, perdem o medo, os objectos. &lt;br /&gt;Diria que ganham uma vida, se o fosse, mas é apenas uma foto-vida, proto-vida.&lt;br /&gt;Colocaria à janela a vida-objecto, como luz, fruta madura até decompor.&lt;br /&gt;Tudo o que é são terá de deixar de o ser: evidência dispensável.&lt;br /&gt;Dispus-me, um por um, no parapeito da janela a amadurecer.&lt;br /&gt;O resto será evidência dispensável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-241241965414498094?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/241241965414498094/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=241241965414498094' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/241241965414498094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/241241965414498094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/11/exponho-luz-dispondo-objectos-um-por-um.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-828797094706178950</id><published>2010-11-09T12:22:00.000Z</published><updated>2010-11-09T12:22:59.654Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Partes em viagem e ecoa o destino no ruído da partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que todos fossemos felizes, haveria uma guerra, inventariamos um qualquer sistema que trouxesse o Inferno de volta. O meu Inferno sou eu e a minha necessidade vital de tensão, ainda que seja entre o ócio e o negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Contra os canhões, marchar, marchar..." Há qualquer coisa de muito errado em cantar isto com a mão no peito e uma lágrima histérica ao canto do olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Se calhar venho aqui apagar isto, dentro de umas horas. Deve chamar-se a isto o direito de retirada de um post.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-828797094706178950?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/828797094706178950/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=828797094706178950' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/828797094706178950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/828797094706178950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/11/partes-em-viagem-e-ecoa-o-destino-no.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7764431834446434636</id><published>2010-11-07T10:12:00.002Z</published><updated>2010-11-07T10:19:38.735Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Fala o ditador frente a uma fila de cadeiras vazias, agita os braços.&lt;br /&gt;Move-se&amp;nbsp;o&amp;nbsp;histriónico agitador, conformado na sua agitação.&lt;br /&gt;Agita-se o animal no estábulo, antecipação fremente de cio, aventura, morte, tudo rotina.&lt;br /&gt;Fala o louco com o sol, agita os braços.&lt;br /&gt;Fala o louco com o sol, agita a consciência do sol.&lt;br /&gt;É um agitador, o louco. &lt;br /&gt;Liberta o louco&amp;nbsp;os animais presos e diz-lhes que podem sonhar ao sol.&lt;br /&gt;Faz falta tudo menos medo, ao louco e aos animais que sonham ao sol.&lt;br /&gt;Ao ditador falta-lhe sol e a consciência agitada do sol, sem braços agitados, os dele e os do sol: para o ditador, tudo carece de explicitação.&lt;br /&gt;E falta-lhe gente nas cadeiras. &lt;br /&gt;Sonham com ele, ditador, as pessoas em casa, nas suas camas de sono e paixão.&lt;br /&gt;Sonham um sonho curto no qual ele ocupa o estábulo, sem sol.&lt;br /&gt;Agita-se o ditador no estábulo, antecipação de uma rotina de ditador torpe.&lt;br /&gt;Agita-se a consciência do sol.&lt;br /&gt;Liberta-se o sol e enche-se a fila de cadeiras frente ao púlpito do ditador orador de estábulo.&lt;br /&gt;Incandesce&amp;nbsp;o sol um sonho súbito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7764431834446434636?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7764431834446434636/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7764431834446434636' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7764431834446434636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7764431834446434636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/11/fala-o-ditador-frente-uma-fila-de.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-6000206112606826232</id><published>2010-11-06T22:53:00.008Z</published><updated>2010-11-06T23:47:02.973Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não podes ser poeta. &lt;br /&gt;Nunca. Sabes isso.&lt;br /&gt;O poeta não é ridículo nem&amp;nbsp;seria tolhido pelo&amp;nbsp;medo&amp;nbsp;se o fosse, é poeta.&lt;br /&gt;Não permitas que&amp;nbsp;o teu desejo&amp;nbsp;te&amp;nbsp;ludibrie&amp;nbsp;com a promessa antiga de&amp;nbsp;que&amp;nbsp;tudo, até o verbo,&amp;nbsp;pode ser teu se te entregares.&lt;br /&gt;Não podes ser poeta porque não conseguirás dizer com uma única palavra o que é o mundo enquanto te propões incendiá-lo por amor, nem conseguirás nunca possuir as palavras e dar-lhes a liberdade maior. &lt;br /&gt;Não tens talento para cantar a vida ou a morte. Viverás com a Grande Negação a guiar-te e passarás tempo a ruminar a vida enquanto esperas que a morte te ajude a mudar o curso dos teus dias. &lt;br /&gt;Não serás poeta. &lt;br /&gt;Não podes sê-lo.&lt;br /&gt;Não és correspondido nesse amor doentio pelas palavras. Serão sempre elas, prenhes&amp;nbsp;de&amp;nbsp;condescendência, quem te passeará por uma rua esconsa, ocultação&amp;nbsp;de&amp;nbsp;significado letal. Serás, talvez, num vislumbre de justiça pobre e consoladora,&amp;nbsp;o fiel cão das palavras.&lt;br /&gt;Não serás poeta. &lt;br /&gt;Nunca. &lt;br /&gt;Nunca. &lt;br /&gt;Nunca. Nem&amp;nbsp;tenhas a veleidade de o ser na próxima&amp;nbsp;Segunda-feira, no Domingo passado, nos dias varridos pela ira,&amp;nbsp;nas horas&amp;nbsp;em que achas ser paz o que&amp;nbsp;respiras.&lt;br /&gt;Não podes ser poeta e consumir-te-ás&amp;nbsp;nessa ausência: oráculo infalível.&lt;br /&gt;Não podes ser poeta sendo tu.&lt;br /&gt;És nada e nada não pode ser poeta. Nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-6000206112606826232?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/6000206112606826232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=6000206112606826232' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6000206112606826232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6000206112606826232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/11/nao-podes-ser-poeta-nunca.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4250062590574147337</id><published>2010-10-25T17:15:00.005+01:00</published><updated>2010-10-25T19:25:23.584+01:00</updated><title type='text'>pseudo-sinestecoisas-fracas</title><content type='html'>De fora da vida se fazem lamentos.&lt;br /&gt;Constroaço, o fulgifeito martírio de roaz.&lt;br /&gt;Chia tudo o que desfiz um dia, sozinho.&lt;br /&gt;Mostruário de vingançujas sem roupão nem casaco,&lt;br /&gt;flores sem corola, papilas emergentes e gustativas em botão.&lt;br /&gt;'Bom dia' na retrosaria que ninguém já sabe o que é.&lt;br /&gt;Flores como camélias bordadeiras com aroma a cândido&amp;nbsp;absinto barato.&lt;br /&gt;Sentimuda vontade de roer o aço com o acre da seiva má.&lt;br /&gt;Sortilégio desvendado sem sabor jucundo.&lt;br /&gt;Madrugada gélida sem olhos protectores do soberbo lobo.&lt;br /&gt;Amantes nus sem vontade de roupa e com sede de orvalho e mel.&lt;br /&gt;Ah, o amor e outras previsíveis quimeras absurdas!&lt;br /&gt;Venha&amp;nbsp;pois um raio de luz e celebremos sem pudor, sem vergonha, a construção solene deste império sem elevadores amassados pelo diabo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4250062590574147337?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4250062590574147337/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4250062590574147337' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4250062590574147337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4250062590574147337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/10/pseudo-sinestecoisas-fracas.html' title='pseudo-sinestecoisas-fracas'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4187562491582467666</id><published>2010-10-24T20:29:00.003+01:00</published><updated>2011-02-10T21:57:04.233Z</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>Hoje, num domingo de outubro, foi cremada a minha amiga Lena. &lt;br /&gt;Era Helena, ela, e era minha amiga de muitos anos, sem o dizermos todos os dias, sem nos vermos com a desejada regularidade. Se quantificarmos ou qualificarmos ou algo assim, era mais amiga, a Lena, de algumas pessoas do que de mim próprio e menos de outros. não me importa mais do que o suficiente para o ter mencionado. Gostava dela mais do que o suficiente para ter a certeza de que gostaria de me cruzar mais vezes com ela e rir. Mas não nos cruzaremos mais por aqui, nem nos acenaremos quando nos cruzarmos nos carros depois de levar os filhos&amp;nbsp;à escola.&lt;br /&gt;Hoje, chorou muita gente perto daquele corpo sem vida da minha amiga Helena. Eu não chorei porque não me apeteceu chorar ao pé de alguém tão bonito. Estava bonita e em paz, a minha amiga. Se tivesse feito algo, talvez fosse um sorriso ou um passar da minha mão pelo rosto mas estava muita gente perto da Lena e fica para agora, aqui, esse carinho.&amp;nbsp;Estava também aquele que partilhou a vida com ela e que levava&amp;nbsp;sobre os&amp;nbsp;ombros&amp;nbsp;os dois filhos que ficaram a pensar se virá aí uma longa noite sem mãe. Estava incrédulo, o marido da Lena, embora já o tivesse previsto.&lt;br /&gt;Estou farto de que vão sendo cremadas e enterradas pessoas, gente no prólogo da vida.&lt;br /&gt;Outra Lena, Helena, a minha afilhada que adormeceu muitas vezes&amp;nbsp;no meu colo, enquanto eu estudava coisas de literatura e afins,&amp;nbsp;e que se apaixonou, aos três anos, por um primo meu com mais de um metro e noventa de altura, receando que ele crescesse demasiado até à altura do casamento, não cabendo então na igreja, foi enterrada há tempo, numa tarde estranha. Disse-se então que descansaria em paz entre os esplendores da luz perpétua e outras coisas que se deduz serem audíveis por Deus.&amp;nbsp;Por sobre o túmulo, e por sobre o sofrido corpo da Lena, de rosto doce, foram cravados, sucedândeo de eternidade, dois obituários em litígio,&amp;nbsp;estandartes de uma guerra velha de família que tantas vezes a deve ter feito pensar em como gostaria de se esconder, nem que fosse ali, no conforto da terra. era uma pessoa de paz, esta minha afilhada Helena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda a morrer gente demais cedo demais e eu lavro aqui o meu ridículo protesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes já tinha partido o João mas agora perdi a vontade de continuar a juntar mais duas letras que sejam. Chega por hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4187562491582467666?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4187562491582467666/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4187562491582467666' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4187562491582467666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4187562491582467666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/10/hoje-num-domingo-de-outubro-foi-cremada_24.html' title='...'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-6186900365914383272</id><published>2010-10-20T09:36:00.001+01:00</published><updated>2010-10-20T09:38:05.783+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A agitação do mundo à minha volta, as obrigações, aquilo que fará de mim um homem responsável que, de acordo com os cânones, leva as moedinhas para casa,&amp;nbsp;nada disso me entusiasma. Sinto que há algum desprezo na forma como se pode ver de fora alguém que vai ameaçando cortar alguns dos fios que me fazem social e politicamente correcto. Não me apetece ser &lt;em&gt;o diferente&lt;/em&gt;, aquele que rejeita o mundo e foge para um qualquer eremitério. Gosto do mundo, do que ele poderia ser. Detesto esta sua fase febril, esta grande mentira global que vai pingando, aqui e ali, duce chuva ácida anunciando uma monção.&lt;br /&gt;Está forte o sol, lá fora. Há muito tempo que não me sentia tão bem envolvido nestas cores da manhã. Anseio um pouco pelo outono e pela melancolia que ele arrasta.&lt;br /&gt;E volto aqui, aos papéis do trabalho ou a um trabalho de papéis estéreis&amp;nbsp;como se voluntariamente pusesse as grilhetas e sorrisse de contentamento porque tudo é o que tem de ser.&lt;br /&gt;E passo por aqui, como quem fala consigo próprio, com um amigo. E nada mais se espera do que um 'Deixa lá, acontece a todos o sentir-se assim.' E pode acontecer, palavras amigas, pode acontecer a todos.&lt;br /&gt;E passei aqui, como quem toma um comprimido que alivie a dor para o resto do dia. Seja. Poderia ser pior.&lt;br /&gt;Em breve estarei a sorrir, a fazer umas piadinhas e a mostrar que sou um tipo meio despistado que vai fazendo as coisas e que... e que... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;muito obrigado a x e p que me chamaram a estas lides de falar aqui, assim, valha isto o que valer.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-6186900365914383272?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/6186900365914383272/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=6186900365914383272' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6186900365914383272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6186900365914383272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/10/agitacao-do-mundo-minha-volta-as.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-2776316359388023212</id><published>2010-10-18T22:10:00.004+01:00</published><updated>2010-10-18T22:16:44.901+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos pouco sãos e nada prováveis'/><title type='text'>pausa nas palavras... síntese de intervenção 1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin; mso-hansi-theme-font: minor-latin;"&gt;E um pobre vive exactamente como os detentores do dinheiro esperam que viva um pobre. Com pouco dinheiro, à beira do abismo, com a humilhação feita arma de amolecer corações e com o coração endurecido, com as expectativas levadas ao abismo e calcinadas, chacinadas. Doutor nenhum sabe o que sente um pobre. E cada pobre tem o seu penhor de dignidade de ser diferente de qualquer outro colega pobre. Assim vive um pobre. Assim, ou de outra maneira qualquer, desde que empobreça e seja essa terra fértil na qual os benfeitores generosos deste mundo e de outros poderão ganhar céus e terras semeando a sua caridade em tostões brilhantes que todo, todo o pobre, sem excepção, deve agradecer servilmente, como o ar que lhe entra pelos pulmões sujos e cheios de doenças de pobre. Um pobre tem como janela os olhos, as órbitas dos olhos. Delas vê o mundo à sua frente. Da sua casa imunda e vazia, na sua essência, vê o mundo radioso dos que lhe fazem bem e fuzila a corja de colegas pobres que competem pelas mesmas migalhas redentoras. E fecha as janelas em qualquer lado. Por ali fica, pobre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-2776316359388023212?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/2776316359388023212/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=2776316359388023212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2776316359388023212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2776316359388023212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/10/pausa-nas-palavras-sintese-de.html' title='pausa nas palavras... síntese de intervenção 1'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-706837969202913148</id><published>2010-10-18T22:08:00.001+01:00</published><updated>2010-10-18T22:13:12.036+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos pouco sãos e nada prováveis'/><title type='text'>palavras...2</title><content type='html'>-Não acabou o tempo. Apetece-lhe falar da sala?&lt;br /&gt;-Eu não disse isso.&lt;br /&gt;-Disse eu. Pergunto-lhe se lhe apetece falar da sala.&lt;br /&gt;-Nem por isso. Já disse o que queria sobre o assunto. &lt;br /&gt;-Não me parece.&lt;br /&gt;-Então diga o que é que lhe parece que eu quero dizer.&lt;br /&gt;-Parece-me que está muito quezilento comigo. Há dias assim, não é J?&lt;br /&gt;-Não gosto que me chame J.&lt;br /&gt;-Foi você quem me pediu, lembra-se?&lt;br /&gt;-Devem ter sido as vozes que me mandaram, lembra-se?&lt;br /&gt;-Bem, se calhar…&lt;br /&gt;-Acabou o nosso tempo, hoje.&lt;br /&gt;-Não acabou. E como quer que lhe chame?&lt;br /&gt;-Pelo meu nome. Sou um fantoche nas mãos de sabe Deus quem mas tenho um nome, como o Doutor e toda a gente.&lt;br /&gt;-Sim. E eu devo tratá-lo por…&lt;br /&gt;-Sabe muito bem.&lt;br /&gt;-Não, não sei. Já ficou agressivo várias vezes porque não gosta que eu o trate de certa forma.&lt;br /&gt;-Pois…&lt;br /&gt;-E então…&lt;br /&gt;-Júlio… de Matos.&lt;br /&gt;-Tem a certeza?&lt;br /&gt;-Assim toda a gente fica logo a saber.&lt;br /&gt;-O quê?&lt;br /&gt;-Que sou maluco.&lt;br /&gt;-Outra vez…&lt;br /&gt;-São as vozes, Doutor.&lt;br /&gt;-Pois… E o que é um maluco, Júlio de Matos?&lt;br /&gt;-Nunca me tinha insultado… Pelo menos, assim. &lt;br /&gt;-Porque o tratei por Júlio de Matos? Foi você quem pediu, ou estou a inventar?&lt;br /&gt;-Era ironia.&lt;br /&gt;-Então afinal, quer que o trate como? &lt;br /&gt;-Por nada. Por Maluco, sem ironia.&lt;br /&gt;-Não vou tratá-lo assim. Não sei o que é um maluco.&lt;br /&gt;-Claro que sabe. Pode ser por J. Trate-me por Jota, de janela, de javardo, de ‘Já lá vai o tempo em que eu era bom da cabeça’.&lt;br /&gt;-Isto do nome foi apenas para gastarmos o tempo com uma coisa que o J já sabia em que é que ia dar, certo?&lt;br /&gt;-Certo. Porque o que eu quero é falar da sala, certo?&lt;br /&gt;-Eu não disse isso.&lt;br /&gt;-Pois claro que não disse. E eu digo que me vou levantar e que hoje o nosso tempo acabou. Estou farto destas conversas de merda. São tudo tretas. Há dois anos que venho aqui e vejo-o sempre com essa cara de Deus a revelar a porra dos mandamentos. É muito esperto, tão esperto que me fará vomitar a porcaria toda que me atormenta até as vozes deixarem de mandar em mim e tudo. Vai-me sair tudo pela boca, tudo. E vou ficar limpo e livre de tudo o que me faz querer matar e matar e matar e matar. E a minha vida vai deixar de ser uma merda. E eu vou ser feliz, um maluco feliz.&lt;br /&gt;-J, se calhar terminou o nosso tempo, hoje. Já acalmou um pouco depois de ter dito palavrões e de ter embirrado comigo? E isso do ‘matar, matar’… está a falar a sério? Não me parece…&lt;br /&gt;-Claro que não. Como todos os malucos, libertei agressividade e agora atinjo um ponto de equilíbrio.&lt;br /&gt;-Se está convencido disso… Eu nunca disse nem direi isso, até porque, eventualmente, não concordo com nada do que teorizou. Acho que esteve a provocar-me porque lhe apeteceu fazê-lo e eu compreendo.&lt;br /&gt;-Porque é bonzinho.&lt;br /&gt;-Porque compreendo, foi o que eu disse.&lt;br /&gt;-Porque está habituado a aturar maluquinhos. Porque é experiente.&lt;br /&gt;-Terminamos então.&lt;br /&gt;-O maluquinho terminou o tempo de antena.&lt;br /&gt;-Precisa de falar mais alguma coisa que ache ser relevante?&lt;br /&gt;-Precisa de libertar-se de mais alguma merdinha, o maluquinho…&lt;br /&gt;-Precisa?&lt;br /&gt;-Não precisa, não, Senhor Doutor todo-poderoso, Alteza, Marquesa, Realeza Divina. Não precisa de mais nada o maluquinho que pede a Vossa Senhoria se pode subtrair-se da sua fantástica presença.&lt;br /&gt;-Tenha um bom dia, J.&lt;br /&gt;-O J vai ter, com os maluquinhos, amiguinhos que ouvem coisas dos extra-terrestres e de deuses da Atlântida e têm a cabeça a ferver com coisas que o Demónio lhes enfia pelos ouvidos e pelo cu. &lt;br /&gt;-Quer falar sobre a sala…&lt;br /&gt;-Um bom dia e vá à excelsa merda, Senhor Doutor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-706837969202913148?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/706837969202913148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=706837969202913148' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/706837969202913148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/706837969202913148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/10/palavras2.html' title='palavras...2'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3271641153629596510</id><published>2010-10-18T22:05:00.002+01:00</published><updated>2010-10-18T22:14:14.374+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos pouco sãos e nada prováveis'/><title type='text'>palavras infectas e pouco interessantes 1</title><content type='html'>-Um pobre vive exactamente como os detentores do dinheiro esperam que ele viva, Doutor. &lt;br /&gt;- E quem lhe disse isso?&lt;br /&gt;-Ninguém. Fui eu próprio.&lt;br /&gt;-Pois…&lt;br /&gt;-Li no jornal.&lt;br /&gt;-Bem me parecia…&lt;br /&gt;-Porquê? &lt;br /&gt;-Porque me parece uma frase feita…&lt;br /&gt;-Por qualquer pessoa menos por mim?&lt;br /&gt;-Eu não disse isso.&lt;br /&gt;-Disse.&lt;br /&gt;-Não, não me ouviu dizer isso.&lt;br /&gt;-Ouvi, Doutor. Eu oiço vozes, lembra-se? E ouvi o seu desdém.&lt;br /&gt;-Pois…&lt;br /&gt;-Esse desdém que repetiu agora. Pois… Sou o que sou. Tenho a minha história pessoal contra mim.&lt;br /&gt;-Ninguém lhe disse isso. Foi sempre o J quem o referiu, quem construiu essa história. &lt;br /&gt;-Essa narrativa, não é, Doutor?&lt;br /&gt;-Se quiser.&lt;br /&gt;-E se as vozes me deixarem, não é?&lt;br /&gt;-Eu não disse isso.&lt;br /&gt;-Pois…&lt;br /&gt;-Conseguiu.&lt;br /&gt;-O quê?&lt;br /&gt;-Esta pequena vingança, o ‘Pois…’&lt;br /&gt;-Pois… Estive bem. Devolvi-lhe o ‘Pois…’ Tenho competências dialógicas avançadas, Doutor. Tenho treinado com as vozes…&lt;br /&gt;-Eu não disse isso.&lt;br /&gt;-Nunca diz, Doutor. Eu digo tudo, é isso. E agora vou voltar para a sala onde me esperam os meus amigos malucos, cada um com as suas vozes, os seus comprimidos, o seu vazio pessoal. Diga, Doutor. Diga que acabou o nosso tempo por hoje e mande-me para a penitência. O que devo rezar para expiar os meus pecados?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3271641153629596510?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3271641153629596510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3271641153629596510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3271641153629596510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3271641153629596510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/10/palavras-infectas-e-pouco-interessantes.html' title='palavras infectas e pouco interessantes 1'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4227178550767377545</id><published>2010-07-11T12:37:00.002+01:00</published><updated>2010-07-11T16:46:05.907+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>De como separar as coisas nem sempre separáveis, como se eu não fosse eu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Da minha janela vejo as folhas da laranjeira que o meu avô plantou. &lt;br /&gt;Ao fundo, o telhado da casa do vizinho, sem nenhum encanto especial a não ser o de ser, para o vizinho, um tecto sob o qual tudo se passa quando está em casa, o vizinho. E vejo, sobre a linha que delimita o telhado, o céu. Está azul, hoje, o céu por sobre a casa do vizinho. Ele não o vê por sobre o seu telhado, o vizinho.&amp;nbsp;Eu posso&amp;nbsp;declarar sumariamente&amp;nbsp;que está azul o céu porque o vejo.&lt;br /&gt;Sobre a minha casa está um céu azul. Posso dizê-lo mas não&amp;nbsp;o&amp;nbsp;vejo.&amp;nbsp;E agora, que falo apenas do que vejo, deveria ter-me abstido de descrever o que não vejo porque não posso fundir evidência com profissão de fé.&lt;br /&gt;Sempre que afirmo que está sol em&amp;nbsp;Aljezur&amp;nbsp;porque alguém mo disse, faço uma profissão de fé que, em rigor,&amp;nbsp;não deveria ter feito.&lt;br /&gt;Hoje não farei mais profissões de fé: acredito que há folhas verdes na laranjeira que o meu avô plantou.&lt;br /&gt;Outra coisa seria crer nas flores que talvez possam vir, ou no aroma depurado das laranjas que poderia comer."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4227178550767377545?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4227178550767377545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4227178550767377545' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4227178550767377545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4227178550767377545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/07/de-como-separar-as-coisas-nem-sempre.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-2458428026122108912</id><published>2010-06-05T18:17:00.001+01:00</published><updated>2010-06-05T18:25:35.119+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vinha da sombra. Caminhou durante horas daquele lado da colina, por sobre as pedras. A vegetação não era mais do que uma rala palha amarela agarrada à encosta íngreme. Mais uns metros e voltaria ao sol, onde tudo começara, febre, ideia difusa de que tinha de palmilhar o mundo para o poder aprisionar dentro de si. Talvez um dia o corpo o aprisionasse a ele e, então, poderia fechar os olhos, viajar. Do outro lado, o sol anunciava-lhe que chegaria ao final da tarde, castigado pelo peso da sua mochila e pelo calor, com a roupa colada ao corpo e com o sabor do pó do caminho na boca. Sentar-se-ia, prepararia a tenda para a noite, ficaria ali. Talvez fosse aquele o dia no qual o rio que ali correra em tempos, regressaria à vida e invadiria tudo, devorando tudo no seu desejo de possuir a montanha. Talvez até o fizesse pela calada da noite. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, pela calada da noite, enquanto o mundo rodava, tudo se recompunha e reparava. Era a hora propícia ao&amp;nbsp;labor dos gnomos que trabalham de noite,&amp;nbsp;em contos como&amp;nbsp;os de fadas, para cumprir a tarefa impossível de campeões, príncipes e princesas. Esta não fora a noite do rio devastador, fora a noite de sonhar com a sua imagem, o contorno das suas costas visto a contra-luz, passo após passo, sem surpresas para além do estar vivo. Vencidos mais uns metros, chegaria ao sol. Encontraria um lugar para erguer a sua tenda no meio do vale ermo. Dormiria aí sem saber se viria a água do rio ou não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegara o dia no qual vivia os sonhos e sonhava com a vida, coisas de ciclos que se cumprem, coisas de profecias em romances de cordel, coisas de rotação e translação da Terra e dos Homens que têm certezas como esta de caminhar pelos leitos secos dos rios.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-2458428026122108912?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/2458428026122108912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=2458428026122108912' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2458428026122108912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2458428026122108912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/06/vinha-da-sombra.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-6722838655020545409</id><published>2010-05-30T14:40:00.001+01:00</published><updated>2010-05-30T14:42:35.307+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>- Pai, o avô L diz que um homem nunca chora...&lt;br /&gt;- E a mim, já me viste chorar?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já viu&amp;nbsp;e verá. Porque,&amp;nbsp;mais ou menos homem, a ferida dói, a perda magoa e as cicatrizes são sempre diferentes do resto da pele. E por elas, leitos&amp;nbsp;esculpidos e pintados&amp;nbsp;no relevo imaculado do corpo e da alma, pode fluir a alegria, o espanto, a cólera, o desespero, o que nos fez humanos. &lt;br /&gt;Compreendo-te, avô L, melhor do que pensas. Tens na garganta uma represa feita dos dias em que a vida te arrancou pedaços e essa chuva ácida te inundou avassaladoramente.&amp;nbsp;E nunca choras porque as lágrimas foram feitas para os fracos, porque levaste, como todos os homens que não choram, uma vida de sobrepor tijolos, de edificar o paredão que estanca essa água que corre. E assim se forjam os fortes, endurecidos por essa acidez&amp;nbsp;que teima em não poder sair, circuito fechado.&amp;nbsp;Talvez. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Pai, o avô L diz que um homem nunca chora... Mas eu já o vi chorar...&lt;br /&gt;- Claro, M. Todos choramos, às vezes. Não é uma coisa de homens ou mulheres, de criança ou de adulto. &lt;br /&gt;- Eu sei, já te vi chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E percebeu, sem grandes explicações. Falamos muito. De futebol e de flores, das cores do céu e do bramido do mar e dos olhos, com ou sem lágrimas. Porque tudo faz parte da vida, até a morte. E, sobre essa, soubemos cedo o que significa pô-la por palavras em cima da mesa e ir lavando a mesa,&amp;nbsp;com tantas coisas e&amp;nbsp;lágrimas também, como só os fortes fazem,&amp;nbsp;mesmo que sejam homens.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-6722838655020545409?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/6722838655020545409/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=6722838655020545409' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6722838655020545409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6722838655020545409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/05/pai-o-avo-l-diz-que-um-homem-nunca.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-2694918859537311811</id><published>2010-05-29T21:47:00.000+01:00</published><updated>2010-05-29T21:47:08.906+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Disseste que te ias embora, que te despedias porque hoje era hoje o amanhã poderia nada ser. Disseste que alguém esperava por ti, que fazias falta e que as lágrimas de hoje ali seriam menos do que as que se chorariam se não partisses. Tudo vago, tudo sem que os olhos se cruzassem. Disseste que, quando voltasses dirias algo, que me avisarias do regresso. Disseste outras coisas das quais já não me lembro porque preferi gravá-las no esquecimento. E aí esperei por ti, pelo aviso do teu regresso. E dei-te a mão como da primeira vez. Descemos pelo caminho de terra, cheirámos a erva seca. Tudo isto vezes sem conta, umas vezes trazias sobre a pele o teu vestido com flores bordadas pela tua avó, outras a saia que trouxeste das férias com os teus tios, sempre com os ombros descobertos a fazer-me sonhar. E esqueci-te todos os dias. Continuo a esquecer-te e à espera do teu aviso. Sei que me matarás a sede um dia, quando eu menos esperar, quando tiver os lábios secos à espera do fim. E, sempre que te esqueço, conto os minutos no tempo parado, nos teus ombros. Talvez saibas que troquei o tal amanhã por isto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sente-se ao longe o aroma das flores do teu vestido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez voltes hoje, antes de te esquecer de novo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-2694918859537311811?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/2694918859537311811/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=2694918859537311811' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2694918859537311811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2694918859537311811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/05/disseste-que-te-ias-embora-que-te.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7711645733138839536</id><published>2010-02-24T21:26:00.001Z</published><updated>2010-02-24T21:29:07.373Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>E, sem que o esperes, a&amp;nbsp;dias mornos e a um&amp;nbsp;torpor hipnótico, seguem-se dias de Apocalipse, desejo de Juízo Final, dias em que quase sentes que tens na mão a chave do abismo, dias de confusão entre o Alfa e o Ómega. E&amp;nbsp;questionas-te sobre&amp;nbsp;se consegues passar pela tribulação que te toma de assalto, se resistirás a contornar a&amp;nbsp;fonte da ira e&amp;nbsp;da&amp;nbsp;violência sem dela beber um trago ou sem nela saciar a sede como os animais ao fim de um&amp;nbsp;inclemente dia de calor.&amp;nbsp;Respira e olha em teu redor. Não terá de ser assim, pois não? Não terás de optar pelo salto ébrio do cinzento para&amp;nbsp;um qualquer mar de&amp;nbsp;sangue. Então, colocas umas reticências no desejo de que chegue o fim dos tempos. E lês, no&amp;nbsp;Livro das tuas Revelações, em caracteres já meio gastos,&amp;nbsp;que podes ter um novo céu, uma nova terra. Então repousas, ainda que no pó do chão e com a cabeça reclinada por sobre uma pedra&amp;nbsp;à beira do caminho. Há dias&amp;nbsp;em que experimentarás a impotência total do livre arbítirio, dias nos quais,&amp;nbsp;entre céu e inferno, não distará mais do que a tua vontade ou a falta dela e isso é muito menos do que o que fica ao alcance da tua mão.&lt;br /&gt;Como sempre,&amp;nbsp;amanhã será um novo dia. Veremos o que queres e podes fazer. &lt;br /&gt;Sabes, às vezes fico cansado de ouvir&amp;nbsp;as tuas palavras e de ser testemunha e cúmplice das&amp;nbsp;tuas tentativas teimosamente falhas de tanta coisa. Mas isto, tu já o sabias, penso eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7711645733138839536?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7711645733138839536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7711645733138839536' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7711645733138839536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7711645733138839536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/02/e-sem-que-o-esperes-mornos-e-um-opiento.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5821670028697144253</id><published>2010-02-18T01:03:00.002Z</published><updated>2010-02-18T01:03:51.415Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>És o que és. Se tens rótulos, se, desde cedo, te colocaram uma lista de etiquetas em cima, bandeiras a lembrar-te quem és, a quem pertences, quais são as fronteiras da tua existência, se te disseram aquilo que devias ser, tudo isso é algo a que não consegues fugir, sempre pensaste.&lt;br /&gt;E foste construindo o teu edifício sobre esses pilares. E, no fundo, ainda que nunca saibas bem o que isto do fundo quer dizer, não te desagrada porque és isso também, esse catálogo de vícios e virtudes, mas és mais. És pensamento divergente, és capaz de surpresa. Não és quem eras, mostras-te diferente e isso estranha-se. E tu estranhas-te, como se a tua pele não fosse tua. E não é, a que vês ao espelho, aquela que sentes cobrir o teu corpo, milímetro a milímetro. &lt;br /&gt;Sabes que os heróis se forjam na memória das crianças. Sabes que é aí que tudo começa e tudo vai acabar, um dia, quando a memória te tornar em algo que não sabes bem como se chama. Não serás um herói, nesse dia. Serás uma pálida imagem do catálogo de vícios e virtudes. E partirás tranquilo quando souberes que foste forjado nas memórias de todos, até na tua e que, como os heróis, não foste filho da coerência. Esses, nascidos do eterno equilíbrio sem mácula, são os hipócritas, os zelotas, os que, de face erguida apontam dedos e entregam deuses com júbilo. Serás incoerente, até na morte, como os deuses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5821670028697144253?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5821670028697144253/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5821670028697144253' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5821670028697144253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5821670028697144253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/02/es-o-que-es.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1059905708778821569</id><published>2010-02-16T21:41:00.002Z</published><updated>2010-02-16T21:46:03.749Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>seremos salvos pelas coisas simples.&lt;br /&gt;seremos salvos por uma laranja madura caída da árvore, pela vontade de um passo após o outro, pelas palavras honestas que gravamos no peito como bandeiras.&lt;br /&gt;seremos salvos por um acto de compaixão, por uma lágrima que nos percorra a face ressequida. muito além do céu e da terra, da engenharia e das finanças do mundo, seremos salvos pelas coisas simples, por um golpe de fé, pelas coisas que&amp;nbsp;talvez nunca venhamos a entender.&lt;br /&gt;seremos salvos pela esperança, ainda que esse possa não ser, deliberadamente, o plano da nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;(obrigado pelo desafio, AA e MJ; teremos a vida toda para o ir aceitando. não é assim tanto tempo... acho eu...)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1059905708778821569?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1059905708778821569/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1059905708778821569' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1059905708778821569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1059905708778821569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/02/seremos-salvos-pelas-coisas-simples.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7495892872095603605</id><published>2010-02-10T16:31:00.001Z</published><updated>2010-02-16T21:43:23.860Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='finais de dia c sabor a fim'/><title type='text'>nado-morto</title><content type='html'>Foi feliz anos a fio, ela.&amp;nbsp;Dia após dia, filho após filho, numa complacência&amp;nbsp;eficiente&amp;nbsp;de boa filha, boa mãe, boa esposa.&amp;nbsp;Também ele foi feliz, anos a fio. Tantos anos quantos aqueles que ambos estiveram juntos. Até hoje. Aliás, ainda hoje estão juntos, numa complacência&amp;nbsp;eficiente de casal perfeito, com os filhos exactos em número e perfeitos em tudo, na casa quase perfeita, não fora uma malfadada janela, ponto único na convocatória das suas dissensões. Ainda hoje, um dia sem queixas termina, invariavelmente, sem grandes manifestações de insatisfação.&lt;br /&gt;Hoje ela chorou toda a tarde sem saber por que razão as lágrimas a impediam de ver, dia de chuva impiedosa na alma. Hoje, ele ouviu-a soluçar de noite, sem saber por que razão o fazia. &lt;br /&gt;Amanhã, a narrativa do seu dia será a do clássico bilhete de ida. Partirá, para um sítio que não sabe ainda como é mas fugirá de tudo, até de si, especialmente de si, pensará mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E&amp;nbsp;todos sofrerão com isto tudo, sem saber bem por que razão a tempestade se abateu por ali. Chuva impiedosa sobre a alma.&lt;br /&gt;E desta chuva sobre terra sequiosa não nascerá o mais intrépido resquício de vida. &lt;br /&gt;Andará, anos a fio, o odor de um luto informe pelo ar.&lt;br /&gt;Amanhã, esta história poderá ter um final diferente mas será ficção, a minha. Hoje fica por aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7495892872095603605?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7495892872095603605/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7495892872095603605' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7495892872095603605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7495892872095603605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/02/nado-morto.html' title='nado-morto'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1926037499782586320</id><published>2010-02-04T01:45:00.000Z</published><updated>2010-02-04T01:45:22.171Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a luz do dia escasseia, num dia curto de Inverno; quando acordas e&amp;nbsp;as cores pardas&amp;nbsp;de início da manhã chuvosa te penetram a alma sem que&amp;nbsp;as tenhas visto sequer; quando a água quente do duche te percorre a pele e&amp;nbsp;não consegues matar o frio que te gela as veias e a vontade; quando choras apenas porque o dia começou e não sabes como o poderás viver sem medo, um medo que não sabes de onde vem; quando tens demasiados dias assim e te deixas morrer lentamente e quando isso é quase aquilo que desejas, arranca tudo o que tens vestido, mata o frio com o medo, o medo com a raiva e aquece-te nesse fogo&amp;nbsp;furioso que te agarra à vida, como um fio. Se não conseguires,&amp;nbsp;ao menos sobreviveste, contra todas as expectativas. Amanhã, será outro dia, como tantas e tantas vezes repetes.&amp;nbsp;Talvez&amp;nbsp;venha a ser o dia em que descobres aquilo que te persegue. Nunca se sabe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1926037499782586320?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1926037499782586320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1926037499782586320' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1926037499782586320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1926037499782586320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/02/quando-luz-do-dia-escasseia-num-dia.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1633954601818758171</id><published>2010-01-11T16:03:00.010Z</published><updated>2010-01-12T16:16:53.995Z</updated><title type='text'>λήθη (líthi)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tens sentido vontade de te atirar contra as paredes da tua impaciência, da tua impotência e de outras coisas terminadas em ciência que se foram edificando, solenes, à tua volta, não é? Tens sentido que às vezes te escorre difusa pelas veias uma dor de&amp;nbsp;metal pesado&amp;nbsp;que não consegues eliminar, que se acumula e te faz sentir que o chão é céu,&amp;nbsp;é&amp;nbsp;inferno mas repouso também?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Sentes-te viva?", perguntar-te-iam no guião previsível daquelas vidas extraídas a frio&amp;nbsp;de um molde feito para te sentires feliz. Responderias que sim e partirias o molde com raiva. E que forma terias então?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou pôr em palavras, as minhas, aquilo que me parece ser a tua angústia. Aceitas? Sorris. Vou tentar então.&amp;nbsp;Deixa-me alimentar a minha fantasia de taumaturgo e&amp;nbsp;adormece enquanto vou convocando palavras, as minhas, como se tuas fossem:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Esqueceste-te de ti e,&amp;nbsp;nesse esquecimento, encontraste o teu espaço de conforto, a tua nuvem, o teu tapete voador, a tua armadura, um reduto dramático de sobrevivência. Matas a dor que te consome a golpes de esquecimento.&amp;nbsp;Acho inteligente, digo-o sem condescendência alguma.&amp;nbsp;Talvez preferisses rumar a casa, ao jardim onde brincavas quando o mundo era tudo menos tu e quando a realidade não te fazia pensar em que unidade de medida se traduz o peso do teu universo ou a perversidade da sua deterioração.&amp;nbsp;Não sabes quando tudo começou, quando encontraste as primeiras fendas na barragem, mas tens uma ideia limpa e digna&amp;nbsp;de como pode acabar. Queres ajuda mas eu não consigo oferecer-te mais do que a minha passividade. Terás de desculpar embora possas chamar-me cobarde: aceito. Vou sugerir-te aquilo que, pretensiosa e sentenciosamente classificaria como uma metodologia: poderás começar por esquecer-me. Treina. Podes, depois, ir esquecendo tudo o resto e, no final, quando quiseres desligar a luz e abraçar o que quer que seja que nasce da luz apagada, poderás olhar-me nos olhos e sentirás o meu respeito, a minha homenagem e o mais que quiseres, se ainda tiveres&amp;nbsp;a noção do que as coisas são e em que língua são&amp;nbsp;nomeadas.&amp;nbsp;Se tudo tiver corrido como previsto, não saberás quem sou eu, nem&amp;nbsp;por que razão&amp;nbsp;te olho&amp;nbsp;mas, garanto-te,&amp;nbsp;estaremos ambos&amp;nbsp;ali,&amp;nbsp;onde tudo acontece sem despedidas. O resto interessará muito pouco, quase tão pouco como tantas outras coisas que nunca saberemos,&amp;nbsp;muito menos do que&amp;nbsp;o bem ou o mal.&amp;nbsp;"Destas e de outras coisas se faz a alma", disseste-me um dia,&amp;nbsp;quando as palavras ainda te habitavam. Talvez o venha a esquecer, um dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1633954601818758171?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1633954601818758171/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1633954601818758171' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1633954601818758171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1633954601818758171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/01/tens-sentido-vontade-de-te-atirar.html' title='λήθη (líthi)'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1362265995774561283</id><published>2010-01-01T04:13:00.001Z</published><updated>2010-01-01T04:17:16.842Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se o dia fosse sempre o das cores de chuva com sol? Se tivesse sempre aquele dourado que devem encontrar os que partem deste mundo, sabendo ao que vão? E se não houvesse aniversários, nem bolos, nem velas, nem lua prateada à noite, por entre as nuvens de onde saiu a chuva, de dia? Que perguntas faremos quando nos cansarmos de colocar pontos de interrogação na vida? Haverá sempre uma mão a fazer girar o mundo, sem eixos, sem paralelos, meridianos ou pontuação, livre, sem nunca cair. Um dia terei talvez coragem para&amp;nbsp;me reinventar nessa redentora desobediência. E se o que escrevo fizesse sentido? Talvez um dia e duvido que esse dia seja hoje.&lt;br /&gt;Feliz 2010.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1362265995774561283?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1362265995774561283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1362265995774561283' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1362265995774561283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1362265995774561283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2010/01/e-se-o-dia-fosse-sempre-o-das-cores-de.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-8164583685723012033</id><published>2009-12-30T16:26:00.001Z</published><updated>2009-12-30T16:27:48.970Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;“Auxiliar alguém, meu amigo, é tomar alguém por incapaz; se esse alguém não é incapaz, é ou fazê-lo tal, ou supô-lo tal, e isto é, no primeiro caso uma tirania, e no segundo um desprezo. Num caso cerceia-se a liberdade de outrem; no outro caso parte-se, pelo menos inconscientemente, do princípio de que outrem é desprezível e indigno ou incapaz de liberdade.” &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Fernando Pessoa, &lt;em&gt;O Banqueiro Anarquista&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz sentido que nos deixem dormir um sono fétido debaixo de um vão de escada, ou um clássico sono num caixote de cartão, debaixo de um viaduto ou de uma ponte, ou um irónico sono no átrio de uma igreja? Faz sentido que os anos passem e as nossas ficções, com homens, mulheres e crianças lá dentro sejam um navio que ninguém abandona, por ordem alguma, nem antes nem depois dos ratos que invariavelmente habitam o porão? Faz sentido que comamos doze passas, uma por cada badalada, até que o novo ano respire pela primeira vez? Faz sentido celebrar com euforia esse nascimento, sem lhe ouvirmos sequer os primeiros gritos, o primeiro choro, a dificuldade em processar o ar do mundo? Faz sentido que celebremos com pueril esperança o virar de uma folha no calendário, como se celebrássemos a chegada de um messias? Faz sentido que acreditemos num messias que se revela apenas pelo virar de folhas em calendários? Faz sentido ansiar por um futuro igual a hoje, sem viagem feita, o mesmo mundo, os mesmos olhos, as mesmas palavras? &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dormimos todos um sono sem casa. Dormimos todos de costas voltadas para a indignidade, a nossa. Que a liberdade nos auxilie e lance sobre nós os seus olhos redentores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-8164583685723012033?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/8164583685723012033/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=8164583685723012033' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8164583685723012033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8164583685723012033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/12/auxiliar-alguem-meu-amigo-e-tomar.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-860614653209416151</id><published>2009-12-24T16:28:00.000Z</published><updated>2009-12-24T16:28:15.249Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E vêm os magos. Magos porque conseguem ir além do tangível, porque conseguem ler estrelas e presságios tão bem como respiram. E seguem a estrela. E, à medida que se aproximam, ganham distância e lucidez. E, quando oferecem o ouro, o incenso e a mirra, já não o fazem sôfregos de celebrar, ébrios de estar na presença do inefável. Já podem, então, saborear a candura e o alcance do momento. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz-me falta seguir o trilho dos magos, sejam eles reis de algo ou de coisa nenhuma. Faz-me falta saber esperar. Não será grande drama que não se tenha a vida toda para tudo fazer. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Peça a peça, faço um presépio, no sortilégio de saber que hoje tudo pode recomeçar, sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E farei um desenho, com carvão negro sobre o papel branco. E nele verei as minhas cores. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Feliz Natal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-860614653209416151?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/860614653209416151/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=860614653209416151' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/860614653209416151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/860614653209416151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/12/e-vem-os-magos.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1841983999205111817</id><published>2009-12-13T18:05:00.003Z</published><updated>2009-12-14T21:08:30.844Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Observar os traços brancos da estrada, no negro do alcatrão mais negro. Entrar na noite&amp;nbsp;pelos atalhos&amp;nbsp;feitos&amp;nbsp;de bons presságios que não cessam. E seguir, sem escala programada, viajantes sem mais redenção do que o prazer de avançar e de encontrar no caminho por fazer um código desconhecido, secreto, uma existência semelhante à do fantasma que está e não está.&amp;nbsp;Ao longe, numa qualquer&amp;nbsp;tela de cinema alguém fuma um cigarro enquanto tenta decifrar o mistério que se adensa numa espiral de intriga negra sem traços brancos a definir os sentidos do percurso. E tudo se mistura e todos os sentidos se confundem no escuro e no fumo densos. Luzes apagadas, fim da linha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1841983999205111817?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1841983999205111817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1841983999205111817' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1841983999205111817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1841983999205111817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/12/observar-os-tracos-brancos-da-estrada.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5492329847572225078</id><published>2009-11-23T22:35:00.000Z</published><updated>2009-11-23T22:35:13.511Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque te vejo adormecer, dando descanso a&amp;nbsp;tudo o que és, paz e turbilhão, decidi que&amp;nbsp;um dia&amp;nbsp;te escreverei uma carta para&amp;nbsp;que leias no futuro, embora já saibas que palavras, sorrisos e tempestades podes aí encontrar.&amp;nbsp;E poderemos continuar a caminhar&amp;nbsp;ao som da tua voz, da minha, e faremos das nossas&amp;nbsp;conversas um luar&amp;nbsp;sobre a espuma das&amp;nbsp;nossas ondas. E contemplarei os teus filhos e levar-me-ás ao colo ser queixumes e riremos do primeiro Natal, do nono aniversário, do primeiro amor, das dores das perdas e das alegrias ansiosas&amp;nbsp;dos&amp;nbsp;partos, do vigésimo aniversário e de quando inventei histórias sem sentido para te fazer feliz. E dar-te-ei os parabéns, mesmo que não me vejas. E saberás que nos liga mais do que meia dúzia de Primaveras e de cordões umbilicais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5492329847572225078?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5492329847572225078/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5492329847572225078' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5492329847572225078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5492329847572225078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/11/porque-te-vejo-adormecer-dando-descanso.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5765861281103314932</id><published>2009-11-23T22:02:00.001Z</published><updated>2009-11-23T22:35:58.515Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comia cerejas como palavras saídas de rubros lábios e dizia coisas inefáveis sem pudor. Subia as esferas de sistemas solares e de vias lácteas na esperança de salvar mundos. Rendia-se&amp;nbsp;à dor e matava-lhe a sede, como cerejas vermelhas, de um vermelho escuro enraivecido, a cor do diabo à solta numa rua qualquer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podia ter carregado alguém ao colo, talvez um previsível filho, talvez um pai ébrio ou uma mãe dorida de não saber mais nada sobre coisa nenhuma. Podia ter sido algo mais e roubaria ao livro dos livros saber e luto sufucientes para cobrir de vergonha um deus qualquer, tão anónimo como uma rua qualquer, com mulheres a seduzir dinheiro e homens em busca de um onírico cio consolador. Podia ter-se vestido com um vestido-nuvem e seria um doce anjo decadente. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enlouqueceu à sombra de si mesma. Compreendeu que o fogo cerrado e cruzado da guerra eram cerejas e palavras sem pudor, desejo de artifício, memória fátua, futuro envelhecido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5765861281103314932?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5765861281103314932/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5765861281103314932' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5765861281103314932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5765861281103314932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/11/comia-cereja-como-palavras-saidas-de.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1077107706804566543</id><published>2009-10-26T18:43:00.005Z</published><updated>2009-10-26T18:58:19.984Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentou-se no muro. Era de pedra, o muro. Sentou-se e&amp;nbsp;esperou pensar&amp;nbsp;em algo épico que pudesse fazê-lo traçar outro rumo, outra rota, algo assim. Imaginou de novo&amp;nbsp;os dragões da infância, voadores incansáveis, guerreiros ferozes e doces que tantas vezes o carregaram, como escrevia nas composições da escola, 'por montes e vales'. Épico mas morto, tudo isso, como a pedra do muro. Pensou no guarda-chuva aberto&amp;nbsp;de que se muniu&amp;nbsp;para o famoso&amp;nbsp;salto de cima da baliza, na escola, o mais curto voo em queda livre da história, de uma história qualquer,&amp;nbsp;com guarda-chuva e nariz partido. Lembrou-se ainda de observar as formigas, de as ver carregar fardos com mil vezes o seu peso. Épicas, as formigas. Olhou algumas pessoas que passavam lá em baixo, na rua. Como as formigas, evidentemente, incansáveis.&amp;nbsp;Por ver aquelas pessoas é que se&amp;nbsp;terá lembrado&amp;nbsp;delas, das formigas. Carregavam as pessoas o seu pequeno e pesado fardo de palmilhar a cidade em busca de dinheiro para pão. Nem fardo, nem pão eram algo de épico, nem os dragões voariam. Olhou a rua e voou, sem guarda-chuva. E chovia. Chovia pouco, uma chuva suave a molhar a rua. E a chuva viu que ele passava, no seu livre voo, e fez-se nuvem, de novo, ali mesmo. Transportou-o a chuva às costas e carregou-o por montes e vales. E termina&amp;nbsp;esta história, composição quase escolar de más&amp;nbsp;aventuras,&amp;nbsp;com o mais curto voo livre da sua existência, o mais épico também, o mais sombrio, dirão alguns, o mais cobarde, dirão outros. O mais livre, digo eu, com nuvens e chuva por sobre as minhas palavras e de mão dada com o meu silêncio. Fraternal, o meu silêncio, cúmplice, cobarde.&amp;nbsp;Uma vez chega, é até mais do que suficiente, diria ele. Era uma vez. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1077107706804566543?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1077107706804566543/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1077107706804566543' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1077107706804566543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1077107706804566543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/10/sentou-se-no-muro.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-14500433871480175</id><published>2009-10-22T17:19:00.003+01:00</published><updated>2009-10-22T17:49:10.014+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se a vida fosse apenas o espaço e o tempo que medeia&amp;nbsp;entre um comboio perdido e o seguinte, que teima em chegar atrasado? Ou a soma de todos esses momentos? Talvez se perdesse o muito que, aparentemente, costuma ser o resto do tempo. Talvez se ganhasse o que é costume perder-se. Talvez a espera, tempo de impaciências e sonos intermitentes, revele o pulsar dos sangues e seivas vitais, a face oculta e displicentemente adiada daquilo que&amp;nbsp;somos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-14500433871480175?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/14500433871480175/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=14500433871480175' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/14500433871480175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/14500433871480175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/10/e-se-vida-fosse-apenas-o-espaco-e-o.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-6016124901044007542</id><published>2009-10-01T16:49:00.008+01:00</published><updated>2009-10-04T16:07:05.759+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazia uma espécie de xilofones com os restos das pedras da pedreira. 'Litofones' seriam... Todos os dias levava umas quantas peças, irregulares, de expessuras e texturas diferentes, mais ou menos oxidadas, com&amp;nbsp; diferentes veios&amp;nbsp;a rasgar&amp;nbsp;a cor base da pedra.&amp;nbsp;Já em casa, dispunha-os, com critérios&amp;nbsp;e carinhos seus,&amp;nbsp;sobre pequenos cubos de madeira, colados numa barra também de madeira, daquela clara dos caixotes da fruta. E depois tocava, fosse aquilo o que fosse, sempre devagar.&amp;nbsp; Deixava-se embalar pela dormência dos sons roucos, roubados ao fundo da Terra e ressuscitados para um diálogo improvável. E depois, depois&amp;nbsp;falava, juntava palavras sussuradas àqueles sons&amp;nbsp;com que&amp;nbsp;povoava os cantos da sua solidão.&amp;nbsp;e percorria livre e metodicamente o seu universo. Um dia, já cansado, ter-se-á deitado sobre toda aquela construção,&amp;nbsp;num final de tarde de um quente Outono&amp;nbsp;. E, enquanto&amp;nbsp;a pedra&amp;nbsp;lhe devolvia o calor do sol, confortando as&amp;nbsp;suas costas com um tépido abraço,&amp;nbsp;esperou que todos aqueles sons e palavras&amp;nbsp;começassem a ganhar vida e forma&amp;nbsp;à sua frente. Ao som daquela melopeia, que ainda hoje&amp;nbsp;ecoa nas traseiras da sua casa, naquele quintal transmutado em máquina de memórias, terá ouvido o seu&amp;nbsp;telúrico &lt;em&gt;requiem&lt;/em&gt;.&amp;nbsp;Haverá horas assim,&amp;nbsp;horas em que a vida já nos trouxe&amp;nbsp;o muito e o pouco que tinha a trazer e, então,&amp;nbsp;talvez nos reste apenas&amp;nbsp;esperar que, fechados os olhos,&amp;nbsp;possamos ao menos continuar a sonhar, nem que seja com xilofones e palavras. Já terá valido a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;(Ruminava o facto de que esta ideia, como quase todas as outras, não seria original. Ocorreu-me então&amp;nbsp;a figura de Palli, o islandês que faz instrumentos&amp;nbsp;-marimbas cromáticas -&amp;nbsp;com o que a Terra lhe dá - pedras, ruibarbos centenários, dia após dia,&amp;nbsp;apresentado em&amp;nbsp;&lt;em&gt;Heima&lt;/em&gt;,&amp;nbsp;de Sigur Rós. Foi, quase sem o saber,&amp;nbsp;inspirada nele que esta curtíssima e condensada metragem.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-6016124901044007542?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/6016124901044007542/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=6016124901044007542' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6016124901044007542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6016124901044007542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/10/fazia-uma-especie-de-xilofones-com-os.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-2317549207800782382</id><published>2009-09-28T15:01:00.006+01:00</published><updated>2009-10-03T23:35:34.570+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inusitado manifesto: 'Por Plutão'&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu nasci, Plutão era um planeta. Era o último dos 'nossos' planetas, do 'nosso' sistema solar.&amp;nbsp;Era uma daquelas espécies de famílias&amp;nbsp;repetidas na escola,&amp;nbsp;misto de composições musicais e provas olímpicas como o alfabeto, a tabuada do sete ou o nosso nome completo, tudo dito, cantado ou&amp;nbsp;recitado no&amp;nbsp;intervalo de tempo&amp;nbsp;de que precisa um relâmpago para rasgar o céu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, por&amp;nbsp;mais que Plutão lá esteja e, eventualmente, em nada tenha mudado,&amp;nbsp;foi oficialmente retirado da vetusta fotografia de família. E tudo isto, qual teoria científica da conspiração,&amp;nbsp;com uma perfídia semelhante àquela que põe alguém fora da família porque se descobriu que o código genético não corresponde ao do patriarca, ou da matriarca da família: eras nosso irmão. Bem sei que tudo isto assentará em critérios que não ouso nem&amp;nbsp;quero, de forma alguma, beliscar mas, nas minhas imaginárias viagens pelo Universo, Plutão era a última escala ainda em casa, com uma, se calhar imaginada, centelha longínqua de sol&amp;nbsp;pálido. Para lá de Plutão, a atracção do desconhecido. Gelado e&amp;nbsp;diminuto, era também o primeiro indício, na viagem de regresso, de que estaria a chegar a casa. Dobrado aquele cabo de todos os confortos, pouco importava a sua classificação. Plutão daria conselhos avisados na partida e receberia, algum tempo depois,&amp;nbsp;os viajantes&amp;nbsp;cansados de braços abertos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o passar do tempo, e porque continuamos a planear as nossas viagens por espaços mais inóspitos que o sideral, continuo também, não raras vezes, a desejar essa passagem por Plutão e aí&amp;nbsp;adormecer, a salvo da tempestade, no aconchego do abrigo seguro,&amp;nbsp;nessa&amp;nbsp;escala de um vital anonimato redentor. Gelado e diminuto, sentirei sempre o apelo de um planeta como Plutão onde alienar-me não corresponda a perder-me de vez. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Há ainda a possibilidade de, com o passar do tempo,&amp;nbsp;eu&amp;nbsp;ir ficando mais estranho... Espero que não me passem a chamar outra coisa qualquer por me ser retirado um qualquer estatuto... Se calhar já chamam e continuo a ser eu... Como Plutão.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-2317549207800782382?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/2317549207800782382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=2317549207800782382' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2317549207800782382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2317549207800782382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/09/estranho-e-inusitado-manifesto-por.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-2087990565351303358</id><published>2009-09-24T17:55:00.001+01:00</published><updated>2009-09-24T18:01:59.134+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Folhas de papel, papel de raízes das quais não quero mais beber .&lt;br /&gt;Papel para fazer asas, de papel, e o&amp;nbsp;voar discreto,&amp;nbsp;seja lá para onde for.&lt;br /&gt;Céu azul ou cinzento para poder cair em voo livre e ser salvo, nem sei bem de quê, nem por quem.&lt;br /&gt;Ao fundo, o muro cinzento esbranquiçado que se me fez horizonte.&lt;br /&gt;Talvez do outro lado haja&amp;nbsp;mais eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Set me alight, we'll punch a hole right through the night. Everyday the dreamers die to see what's on the other side." &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(algumas palavras&amp;nbsp;de "In God's Country", de&lt;em&gt; Joshua Tree&lt;/em&gt;, U2)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-2087990565351303358?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/2087990565351303358/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=2087990565351303358' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2087990565351303358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2087990565351303358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/09/folhas-de-papel-papel-de-raizes-raizes_24.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5016881321656363018</id><published>2009-09-18T23:08:00.005+01:00</published><updated>2009-09-28T15:18:50.973+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me do estalar dos joelhos do meu pai, na noite das minhas já velhas insónias, ao aproximar-se do meu quarto. Entrava, sentava-se na beira da minha cama e, com toda a&amp;nbsp;paciência, sugeria-me uma estratégia para chamar o sono, algo além de ovelhas saltitonas e &lt;em&gt;clichés&lt;/em&gt; exauridos. O sono não chegava, como desejado, até o cansaço me vencer, como hoje. Hoje, quando o sinto menos paciente, tenho a certeza de que continuaria a convocar a sua experiência, mais do que imaginação, talvez, para me evitar a perda constante de sono. Hoje é o meu pai um companheiro para os meus filhos, a mais velha, exigente, o activo e espontâneo do meio e o exasperantemente calmo e reservado mais novo. Para todos eles é&amp;nbsp; uma presença que acalma, um companheiro de viagens longas a dois, pela frágil saúde da minha mãe, o garante de que tudo vai correr bem. É para mim o pronto-socorro que, sem questões,&amp;nbsp;persiste em aparecer no local certo à hora certa. É&amp;nbsp;o amigo que eu trato enquanto tal, com toda a frontalidade do mundo, ainda que nem sempre ele goste e nem sempre eu durma tranquilo depois, ao fim do dia... Sempre o sono ou a falta dele...&lt;br /&gt;Poderia ser isto uma carta mas não é. É um manifesto, simples e pouco elaborado num dia triste, nem sei bem porquê, num dia em que me fazia falta falar um pouco com ele, nem sei bem porquê. Se calhar, continuo a esperar novas sugestões para novas insónias. Se calhar,&amp;nbsp;quando emergimos crianças dos medos de sempre e vimos à tona da água respirar, gostamos de ouvir ruídos familiares no silêncio das nossas noites tão escuras, ruídos que&amp;nbsp;possam dar&amp;nbsp;sentido e conforto ao escuro. Um beijo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5016881321656363018?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5016881321656363018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5016881321656363018' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5016881321656363018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5016881321656363018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/09/lembro-me-do-estalar-dos-joelhos-do-meu.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-8623548674073602387</id><published>2009-09-07T17:30:00.003+01:00</published><updated>2009-09-07T19:38:04.220+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;"-Pai, quem é que escolhe vir trabalhar para uma cabine de portagem? &lt;br /&gt;-Quem não tem muitas mais alternativas, filho. Por isso é bom que procures estudar. Assim, terás mais possibilidades de escolha (ilusão...). Se o teu sonho&amp;nbsp;continuar a ser, ainda assim,&amp;nbsp;trabalhar numa portagem ou algo semelhante, podes escolher...&lt;br /&gt;-E tu, pai, qual é o teu sonho?&lt;br /&gt;-&amp;nbsp;... ...&lt;br /&gt;-Pai... estás a chorar?&lt;br /&gt;-Não mas não te consigo responder agora... "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Das certezas doutrinárias sobre o futuro, dos conselhos politica e socialmente correctos com honesta sensatez misturados, eventualmente, à impossibilidade de responder a algo que, para alguém com&amp;nbsp;oito anos de vida, pareceria estar definido... Este é, aliás, um eco do diálogo semelhante,&amp;nbsp;mantido, há um tempo atrás, com outro dos meus filhos, então com uma idade próxima desta. &lt;br /&gt;Acho que eles sabem qual é o meu sonho, da mesma forma que eu sempre soube&amp;nbsp;qual era o dos meus pais. Pelo menos soube que, para além de procurarem ser felizes connosco, os filhos, sem destilar&amp;nbsp;a sua frustração,&amp;nbsp;havia algo mais.&amp;nbsp;Talvez, no fundo, estes meu filhos&amp;nbsp;me conheçam melhor&amp;nbsp;do que eu esperaria e saibam ler-me no rosto o sonho por cumprir, camuflado de responsabilidade e de outras coisas imprescindíveis no mundo&amp;nbsp; dos adultos, seja lá isso o que for. &lt;br /&gt;Seremos sempre livros abertos para quem nos ama, felizmente, ainda que sejamos&amp;nbsp;tantas vezes&amp;nbsp;histórias incompletas, incertezas, confianças, espantos, admirações. Ficarão sempre os afectos a ligar-nos, a fazer-nos sorrir,&amp;nbsp;a derramar&amp;nbsp;cores de arco-íris, lado a lado com o&amp;nbsp;negro das das palavras, tudo sobre o branco das nossas páginas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-8623548674073602387?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/8623548674073602387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=8623548674073602387' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8623548674073602387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8623548674073602387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/09/pai-quem-e-que-escolhe-vir-trabalhar.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7970818740010030371</id><published>2009-08-24T18:33:00.001+01:00</published><updated>2009-08-24T18:33:44.960+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"De pedra fiz meus sapatos,&lt;br /&gt;De fogo fiz um chapéu.&lt;br /&gt;Ao chão fiquei sempre preso,&lt;br /&gt;Ardi e fui para o céu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Declamou, com&amp;nbsp;um forçado esgar de alegria e leveza pueris,&amp;nbsp;esta quadra. Era a festa de final de ano.&amp;nbsp;Era a sua&amp;nbsp;segunda classe. E chorou por ter declamado uma quadra que não fazia sentido para ele. Nem para ele, nem para ninguém. E chorou porque a professora lhe disse que era bonita, a quadra,&amp;nbsp;e que era de um poeta conhecido por escrever poesias para crianças. E chorou porque a mãe lhe disse que era lindíssima, a quadra, e que ela estaria orgulhosa dele por ser capaz de reproduzir aqueles versos habilmente justapostos. E, com as suas sete sílabazitas métricas, certinhas no versejar, se ditou uma sentença de morte, um túmulo feito em raízes, um sonho dilacerado pelas chamas benfazejas que libertam e levam à glória. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na seu túmulo, uma fotografia amarelada ou sépia, ovalada. Por baixo, uma quadra que alguém achou adequada. Choraria, se a lesse, por ser verdade. Reza assim:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nasceu para ser submisso,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca sonhou voar,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cumpriu-se pacatamente:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descanse em paz neste lar."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7970818740010030371?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7970818740010030371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7970818740010030371' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7970818740010030371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7970818740010030371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/08/de-pedra-fiz-meus-sapatos-de-fogo-fiz.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-8734036515192446856</id><published>2009-08-23T20:59:00.003+01:00</published><updated>2009-08-23T21:20:42.250+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De tanto falar, de tanto escrever, tornou-se prolixo. Deixaram de o ouvir, deixaram de o ler. De tanto falar passou a conhecer a solidão. E a solidão tomou conta dele, como o calor do estio. E secou-lhe a alma, como seca o sol os campos. Encostou-se à parede branca e deixou-se consumir pelo silêncio, pela indiferença de quem perdeu a paciência para tanta palavra, com e sem sentido. De tanto falar sentiu a dormência dos membros, dos lábios e a sua voz passou a ser-lhe estranha. E a solidão tomou conta de tudo, dele também, como o sol que os campos secou, sem remorso algum. E dias virão em que se lembrarão dele, em que pedirão que fale, em que as suas palavras poderão fazer sentido e não ficarão já acumuladas, num monte de restos de mobílias e paredes de casa velhos à espera de remoção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De tanto falar e escrever, as palavras cansaram-no e ele abandonou-as, perdeu a esperança nelas e tornou-se eremita dos significados, surdo e cego aos significantes. Secou nele as palavras e transformou-as em pedra, aprisionadas na sua existência, despidas de justificação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E assim vive hoje, só, sem mãos que escrevam, sem voz ou lábios que falem, num voluntário estado de coma verbal. Requiem precoce, vida em suspenso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-8734036515192446856?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/8734036515192446856/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=8734036515192446856' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8734036515192446856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8734036515192446856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/08/de-tanto-falar-de-tanto-escrever-tornou.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5198915228154006910</id><published>2009-08-09T11:46:00.007+01:00</published><updated>2009-08-16T14:46:12.245+01:00</updated><title type='text'>momento de auto-terapia de pacotilha...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há uns anos atrás, não muitos, pensava chegar à idade que tenho hoje com toda a calma do mundo. Cumpriria quarenta anos, lá para o Natal, e estaria a viver uma realidade não muito bem planeada mas conseguida e tranquila, fundada sobretudo nos afectos, com um percurso que me permitisse pensar, na hora de partir, que se lembrariam de mim mais pelo que fui do que pelos objectivos atingidos profissional ou socialmente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não podendo hoje queixar-me, sobretudo porque tenho à minha volta pessoas que gostam incondicionalmente de mim, sinto uma necessidade de sair daqui, de fazer diferente, de me embrenhar em outras culturas, em outros espaços, de voar para longe com a família e aterrar num sítio onde vivessemos com mais simplicidade, com menos necessidades artificiais, a nossa utopia, o nosso desafio. Estou cansado de viver sufocado pelo conhecido, pelo previsível, pelas rotinas, pelas expectáveis quebras das rotinas... Em tempo de férias e de Verão, fica bem falar das contingências da 'silly season'. Será este então o meu 'silly post', a minha 'silly adolescência retardada ou o advento pouco auspicioso de uma previsível 'crise de meia idade' ou o suave milagre da chegada da andropausa, envolta em neblina pouco esclarecedora...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apetece-me terminar com o gasto pensamento de que a vida é mesmo muito curta, demasiado curta para os desperdícios da autocomiseração, da inércia e dos falsos aconchegos. Se calhar Freud, Jung ou qualquer outro mestre na arte da revelação das almas em câmara escura explicariam isto: sempre fui pouco aventureiro, segui sempre o vento dominante, o curso do tempo e a minha disponibilidade quase automática para ir respondendo às solicitações e às dificuldades, não tanto aos grandes sonhos. Agora, com a fidelidade dos comprimidos para a hipertensão e as experiências episódicas, pontuais e clinicamente controladas de ansiolíticos e anti-depressivos, por esta ordem, fui, como me disse a minha mulher com um sorriso terrivelmente cúmplice, possuido por uma alma cigana e anseio por um qualquer 'mudar as raízes de sítio'... Se calhar, bem vistas as coisas e porque via ontem um documentário sobre os quarenta anos de Woodstock, realidade que quase sempre me passou quase ao lado, pensava se não andaremos a queimar algo mais do que combustíveis fósseis e o fumo chegou até aqui? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me parece...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5198915228154006910?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5198915228154006910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5198915228154006910' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5198915228154006910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5198915228154006910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/08/momento-de-auto-terapia-de-pacotilha.html' title='momento de auto-terapia de pacotilha...'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1856159802079907848</id><published>2009-08-01T00:29:00.002+01:00</published><updated>2009-08-01T00:49:16.062+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Relapso e ingrato para com este espaço, no qual venho, de vez em quando, falar sozinho e com alguns amigos que, na quase totalidade, não conheço pessoalmente, assinalo discretamente o facto de ter aberto 'hostilidades' no dia 27 de Julho de 2006. Vai durando, pela preguiçosa cadência dos textos, pela necessidade de alimentar o meu indisfarçável narcisismo e pelo respeito por aqueles que, generosos, continuam a passar por aqui, tolerando estes exercícios pretensiosos.&lt;br /&gt;Um dia, juntar-nos-emos pessoalmente, espero eu. Para já, com o dramatismo excessivo tantas vezes  gravado nas letras que insisto em juntar, (e como tantas vezes se diz nos filmes) teremos sempre estes lugares, escalas nas viagens, momentos em que nos vamos ocultando e dando a conhecer. Fiel ao que escrevia há três anos atrás, teremos sempre as palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1856159802079907848?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1856159802079907848/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1856159802079907848' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1856159802079907848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1856159802079907848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/08/relapso-e-ingrato-para-com-este-espaco.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-8889004618943312854</id><published>2009-07-28T18:38:00.002+01:00</published><updated>2009-07-28T18:43:28.331+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Arde o mundo e aos nossos pés cai o ar que respiramos.&lt;br /&gt;Fugimos todos como se tentássemos parar o tempo, e em breve, saberemos até onde chegámos e o que conseguimos fazer nesta porção de vida. Pouco terá sido, esperemos que tenha sido o essencial, além das coisas pequenas que nos prendem ao pior do mundo que arde, tempo consumido, fogueira de rotinas inúteis.&lt;br /&gt;Cansado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-8889004618943312854?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/8889004618943312854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=8889004618943312854' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8889004618943312854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8889004618943312854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/07/arde-o-mundo-e-aos-nossos-pes-cai-o-ar.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7476893141779823834</id><published>2009-07-19T03:49:00.002+01:00</published><updated>2009-07-19T04:13:23.254+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Teremos sempre um pouco de medo do desconhecido, da ruptura, do malogro de um plano não necessariamente bom mas que nos segreda ao ouvido a segurança da estabilidade. Teremos sempre ao longe o horizonte e poderemos morrer felizes sem nunca termos tentado lá chegar. Poderemos tentar tocar o intangível, sempre, ainda que seja porque isso nos traz reconhecimento, prestígio ou, na pior das hipóteses, o tal &lt;em&gt;déjà vu&lt;/em&gt; de um plano de vida perfeito. Podemos sempre olhar o horizonte, horas a fio, apenas porque ele está ali, feito para ser contemplado, nesse acto inútil de carinho que é olhar para as coisas e fundirmo-nos nelas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje olhei o horizonte, e as suas cores, numa planície seca, de árida beleza, indescritível. E senti um sopro de esperança. Hoje ouvi falar de vidas que se entrecruzam e de gente que se ama e o diz antes que seja tarde demais, tudo isto enquanto eu olhava o horizonte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Teremos sempre as palavras que dissermos a lembrar-nos que somos mais do que os planos que fazemos, e muito mais do que os objectivos que gravamos no nosso mapa. Talvez o amor, ao entardecer, nos tenha salvo e nos possa ir redimindo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7476893141779823834?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7476893141779823834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7476893141779823834' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7476893141779823834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7476893141779823834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/07/teremos-sempre-um-pouco-de-medo-do.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4809703403773351883</id><published>2009-05-24T22:38:00.006+01:00</published><updated>2009-05-25T11:29:05.451+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gosto de começar muitas destas pequenas tentativas de textos por "Um dia..." Se calhar encarna a minha frustração pelo que ainda não é, mais do que a esperança no que está por vir. Pouco importa, não é? Um dia sentirei menos a gravidade, o seu peso, a forma como encurta a distância entre o céu e a terra, como os fará inexoravelmente colidir. E tudo isto me faz ter vontade de correr para um mar em tons de azul e chumbo e mergulhar, enquanto a chuva cai torrencialmente, água sobre água, ficar por lá. Atrás de mim, todo o mundo, sem que isso importe.&lt;br /&gt;Quando me olho e vejo o que sou no dia-a-dia, nunca sei se tema se agradeça. Estreita é a fronteira entre a sanidade e a loucura, seja lá isso o que for, e todos os dias essa fronteira muda, se dissolve, se materializa em outros sítios, formas, contextos. Penso nisto quando vejo as marcas que as ondas deixam na areia antes de recuar, depois de terem percorrido a sua viagem final. Fica aquela linha, irregular que podemos seguir com o olhar ou com os nossos passos. Logo vem outra e outra e outra. Será sempre assim. Lugar comum? Claro, como tantos outros que aqui deixo. Paciência. Fica sempre a dúvida: entre a melancolia mais funda e dolorosa e a euforia mais exuberante e excêntrica, tem de haver uma postura séria de adulto maduro, previsível? Talvez. Talvez um dia cheguemos a uma praia qualquer, à nossa praia, caminhemos descalços na areia ainda húmida da noite. Sentar-nos-emos a observar esse lugar onde as ondas têm a sua &lt;em&gt;petite mort&lt;/em&gt; e, se o que virmos forem marcas de linhas rectas, correctas na sua intenção e geometria, nesse dia tentarei voar, só ainda não faço ideia como. Um dia, mais uma vez, um dia saberei isto tudo, ou talvez não.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4809703403773351883?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4809703403773351883/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4809703403773351883' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4809703403773351883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4809703403773351883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/05/gosto-de-comecar-muitas-destas-pequenas_24.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7129326037383945840</id><published>2009-04-03T21:06:00.002+01:00</published><updated>2009-04-03T21:17:55.784+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Por onde anda o nosso coração quando tudo se confunde?&lt;br /&gt;Que faremos quando se ressuscita menos do que se morre e que diremos, frente ao espelho, ao nosso olhar impenitente, à nossa vontade de desistir?&lt;br /&gt;Que palavras escolheremos para dizer no nosso último sopro de vida, ou de que silêncio faremos nós palavras?&lt;br /&gt;Por onde vagueia o nosso coração intranquilo?&lt;br /&gt;Escreveremos vagarosa e indignamente o nosso obituário, letra a letra, dia após dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7129326037383945840?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7129326037383945840/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7129326037383945840' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7129326037383945840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7129326037383945840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/04/por-onde-anda-o-nosso-coracao-quando.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7913042363233741456</id><published>2009-03-29T15:47:00.000+01:00</published><updated>2009-03-29T15:48:20.309+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Faltam-me as palavras todas, as palavras para tudo. Sinto-me vazio e dói-me esta luz intensa. Chegará o Verão e, com ele, a obrigação de sentir a felicidade da luz e da pele afagada pelo ar tépido e pelo suor. Chegará o Verão e, com ele, direi, hipocritamente, que lhe sentia a falta e ficarei por ali a fazer conversas de Verão. E seremos todos um pouco  mais felizes porque chegou um Verão mais, com a sua luz intensa que regenera. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7913042363233741456?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7913042363233741456/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7913042363233741456' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7913042363233741456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7913042363233741456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/03/faltam-me-as-palavras-todas-as-palavras.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7802265832380238552</id><published>2009-03-13T00:24:00.002Z</published><updated>2009-03-13T00:43:29.118Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Passava, hoje, ao fim da tarde, a hora de pôr-de-sol, a ponte Vasco da Gama, rumo ao Sul. E a espessa neblina acumulada por sobre a água que não se via, formava um campo de três ou mil tonalidades indescritíveis, sobre o qual apetecia correr até cair esgotado e sentir-se redimido, imune aos perigos, atirado nos braços de um pai que nos segura sempre. Apeteceu-me correr por ali.&lt;br /&gt;A vida é curta demais para que percamos estes momentos.&lt;br /&gt;"Talvez um dia possamos mesmo correr por ali", segredou-me alguém ternamente ao ouvido ao fim do dia. Agradeço, ternamente.  É a espera que me atormenta, é o procurar em cada dia o pequeno momento de glória em que atingimos o objectivo, cumprimos o horário, fomos sérios, politicamente correctos. A vida é curta demais para esperas. "Quem espera, sempre alcança" e morre a seguir. Não seremos ingloriamente mortais. A vida é curta demais para que percamos o irrepetível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7802265832380238552?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7802265832380238552/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7802265832380238552' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7802265832380238552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7802265832380238552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/03/passava-hoje-ao-fim-da-tarde-hora-de.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-2438719080163740949</id><published>2009-01-02T02:42:00.009Z</published><updated>2009-01-02T15:22:10.918Z</updated><title type='text'>road movie 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Saiu pela porta, o café bebido. Lera-lhe nos olhos um 'tenho medo de morrer sozinho.' &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ambos perceberam que terá sido ali que ele a amou pela primeira vez, ou se deu conta disso, naquele fechar de portas, a da casa e a do carro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O café, que deveria ter sabido a um veneno qualquer, foi chuva na sua terra árida de há muito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O motor do carro, a dilacerar a solidão futura, lembrou-lhe que o futuro era já e não lhe pertencia. Por aquela estrada seguia a confirmação de que nem os gatos vivem o número de vezes que deles se diz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afastou-se, embriagada pela tinta com que podia finalmente escrever no branco de algumas das suas páginas. Seguiu sem destino certo, o clássico de quem tem uma ideia daquilo que o faz fugir e pouco mais do que isso. Adormeceria talvez mais confortada pela suposta coragem mas descobriria, na manhã seguinte, que tinha havido Pai Natal, com presentes e tudo, mas o mundo não se reinventara apenas por isso, tal como um brinquedo não mata a fome a uma criança faminta. Da tampestade à bonança, da bonança ao vazio. Teria ainda de fazer muito caminho, literalmente. Ganharia uma vida, mas à força de distância percorrida, de ver àrvores e postes a passar ao lado, na voragem de revelar ao novo ano um admirável mundo não tão novo assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De costas para a porta que se fechara, acendeu mais um dos muitos cigarros que ainda fumaria. Ficaria por ali mais uns anos, passar-lhe-iam umas mulheres sombrias pelo quarto e pelo corpo, mais rotina que prazer, mais reflexo que conforto. Beberia bastante, até se deixar consumir nos braços de todo o tempo perdido, sem lucidez nem remorsos. Encontrá-lo-iam um dia deitado e cobri-lo-iam de terra e da dignidade do esquecimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E na estrada percorrida se cumpririam aniversários, muitos mais depois do fechar das duas portas e do café envenenado que soube à água da chuva torrencial que tudo lava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Nem tudo será Inverno, nem Verão, nem Primavera, nem Outono." Consta que estaria escrito, com o carvão de um resto de torrada, ao lado de um pequeno copo de bagaço no qual nem teria já tocado. Consta muita coisa quando nada se sabe. No seu último sonho teria escrito, a tinta vermelha, numa folha alvíssima: "Quando percebi que eras o pássaro dourado que procurei a vida toda, resisti a que te deixasses aprisionar. Ganhei com isso o único tempo de paz. Voa." E seria previsível, de gosto duvidoso, final de novela barata. Pois que fosse. A terra por cima guardaria tudo no seu sortilégio, até sonhos improváveis, testamentos invalidáveis e vidas em vão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-2438719080163740949?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/2438719080163740949/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=2438719080163740949' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2438719080163740949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2438719080163740949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/01/saiu-pela-porta-o-caf-bebido.html' title='road movie 2'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7055121428357195995</id><published>2009-01-01T22:32:00.006Z</published><updated>2009-01-02T03:42:58.570Z</updated><title type='text'>road movie 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que te levou a pensar que havia algo de novo por aqui? O Novo a seguir ao Ano? Não desperdices o teu tempo. Saberás sempre tarde demais que regressar aqui é perda de tempo e que voltar a casa, a esta que nunca foi tua, nunca será renovar o que quer que seja. Regressar será teres sempre na cabeça a mesma música viciada, a mesma humidade nas paredes perto do fogão, o mesmo calor na cama desconfortável e demasiado usada. Por isso, entra, bebe um café ou um chá quente que te conforte para o resto da viagem que terás de fazer. Não te iludas com a chama da lareira nem com a penumbra lânguida que vês ao fundo. Não te sintas tentada a iludir o teu corpo com o cansaço e com a necessidade de parar para retemperar forças. Feliz Ano Novo, tenho café acabado de fazer. Senta-te uns minutos e volta à estrada. Em breve a lareira terá apenas cinza, fumo. Na cama dormirá alguém que te levará a pensar, dentro de uns anos, que o desejo é uma coisa estranha. Será alguém que nunca te respeitou a não ser hoje. Aproveita. Não costuma haver presentes de Ano Novo e o teu valerá o resto da tua vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7055121428357195995?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7055121428357195995/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7055121428357195995' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7055121428357195995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7055121428357195995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2009/01/o-que-te-levou-pensar-que-havia-algo-de.html' title='road movie 1'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3893034154949596725</id><published>2008-12-30T02:28:00.006Z</published><updated>2010-02-10T16:32:32.549Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='finais de dia c sabor a fim'/><title type='text'>Finais de dia com sabor a fim VI</title><content type='html'>Saíu da cama, sentiu que era tarde demais. Abriu a janela e sentiu o frio cortante. Vestiu-se à pressa e saltou. Correu toda a noite pela cidade. Buscou-a por todos os recantos, seguiu-lhe o cheiro, o riso, a fala, a cor das roupas. Correu até ser dia, até não sentir-se mais. Adormecera no momento errado e dormira em excesso. Restava-lhe agora o sonhar acordado e o dar de beber à dor de uma insónia sem fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3893034154949596725?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3893034154949596725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3893034154949596725' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3893034154949596725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3893034154949596725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/12/finais-de-dia-com-sabor-fim-vi.html' title='Finais de dia com sabor a fim VI'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5811721600722994983</id><published>2008-12-28T01:28:00.025Z</published><updated>2009-09-18T10:42:13.940+01:00</updated><title type='text'>podia ser uma carta... gostava que fosse</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_YiHbwbruZrU/SVbpo9d0L7I/AAAAAAAAAEM/b7w6OiPI7SE/s1600-h/DSC04511.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Na fluida e incerta essência misteriosa&lt;br /&gt;Da vida, flui em sombra a água nua." (F. Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo assim esta carta, com palavras que não são minhas. Nenhumas são. Algumas tomo-as como se bebe o leite da mãe pela primeira vez. Essas sabem a futuro e esperança, ou ao acre da vida que nos acompanhará, ou a tudo isso doce e dolorosamente misturado e, por isso, sabem, inefáveis, a vida. Tomo assim as palavras e, com elas, irei, talvez pretensiosamente, escrevendo cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta, escrevo-a em particular para o meu avô materno. Do meu avô paterno, elo que não cheguei a conhecer pessoalmente, ouvi repetidas vezes a narração da sua trágica e precoce partida e tenho observado, pela vida fora, as réplicas dessa sísmica perda nas resilientes estruturas do meu pai. Por falta de referências visuais e para que a memória do que construísse não me fosse atraiçoando, fundi-o integralmente no meu pai, a quem escrevo muitas cartas, algumas das quais ele lerá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Partiu o meu avô materno pouco menos de duas semanas antes do Natal de 1997. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Lembro-me, avô, de que, tão direito quanto possível, entrou pelo seu pé no hospital de onde não voltou a sair, com a sua pequena mala e a também sua pouca esperança na possibilidade de adiar a grande viagem, que pressentia com resignação. Falámos muitas vezes, outras tantas discutimos, em algumas ocasiões desabridamente, como dois adolescentes inseguros. Reconstruímos sempre o caminho pedregoso que nos permitia fazer ao menos a metade que, nem que fosse teoricamente competia a cada um, de igual para igual. Estou convencido disso.&lt;br /&gt;Lembro-me de lhe contar os meus sucessos, sempre valorizados, as minhas angústias, cuja superação era um dado adquirido, o estarmos calados, somente a moer um pouco de tempo no nosso almofariz, à vez. Fiz muitas vezes o caminho até à sua casa, sabendo que a minha simples presença seria suficiente para lhe pôr no rosto um sorriso quase de reconhecimento. Recordo o momento em que lhe apresentei aquela que seria minha mulher, do carinho com que a recebeu e do respeito que me fez prometer naquele compromisso. Sabe que não quero ser injusto para a avó, que me aguardava e escutava com o mesmo carinho e que igualmente quereria aqui ao meu lado, agora, mas sinto que o tempo foi mais cruel para connosco pelo tanto que tinhamos ainda que falar. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda assim, no limite das suas forças, recordo a forma enternecedora como se despediu da nossa primeira filha que nasceria em Abril com um firme 'já não a vejo mas cuidem bem dela'. Tentou, como sempre, esconder a emoção e a lucidez de que seria o último adeus. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Encontrámo-nos logo nessa noite, quando, já &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YiHbwbruZrU/SVbqCA-ay1I/AAAAAAAAAEU/Ca0THmhGevA/s1600-h/DSC04511.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284668533108296530" src="http://3.bp.blogspot.com/_YiHbwbruZrU/SVbqCA-ay1I/AAAAAAAAAEU/Ca0THmhGevA/s320/DSC04511.JPG" style="cursor: hand; float: right; height: 240px; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;de viagem, cruzou o meu sonho, onde eu já o aguardava. E estivemos por alguns momentos, os necessários para que ficasse clara a natureza da visita, na praia do Monte Clérigo, do lado certo das 'Margaridas' e, vigilante, observava a forma como eu, para aí com uns sete ou oito anos, saltava destemido e dominador as ondas, seguindo as normas, bom aprendiz. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, com os seus calções azuis escuros e o seu cabelo branco a começar a aparecer e a cobrir-lhea cabeça e o corpo como a espuma de uma qualquer maré, as mãos atrás das costas, despedimo-nos. Acordei a meio da noite, com os olhos rasos de lágrimas ou de toda aquela água salgada e, pela manhã, nada foi surpresa. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também o tenho ido fundindo no meu pai, quer pelo que foram um para o outro, quer porque necessito de todos, os que cá estão e os que já não posso abraçar fisicamente, cada vez mais perto. A sua partida não me deixou mágoa. E tenho acordado, ao longo destes anos, com a memória de sonhos reconfortantes mas estranhos, porque quase do dia-a-dia, nos quais falamos, ou porque chego a casa e estão lá os dois, e me desabafa os mais recentes caprichos da avó ou porque eu ou nós vos fomos visitar e ficamos a conversar um bocadinho neste mesmo sítio em que agora escrevo e onde tanta coisa de bom se passa cá em casa. "Tens a certeza que não queres comer nada?" "Tenho... acha que eu só penso em comer?" "Pronto, já estás a desconversar, não tens remédio!"&lt;br /&gt;Um beijo, um abraço e, não lhe dou novidade nenhuma mas faço questão de dizer que sentirei sempre a sua falta." &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;(a foto foi tirada por mim em fevereiro de 2008. o sonho descrito decorreu exactamente ali, naquele cenário e não em outro qualquer, parecido. as rochas estavam, como em muitos outras alturas, muito menos cobertas de areia: detalhes...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5811721600722994983?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5811721600722994983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5811721600722994983' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5811721600722994983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5811721600722994983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/12/carta-2.html' title='podia ser uma carta... gostava que fosse'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YiHbwbruZrU/SVbqCA-ay1I/AAAAAAAAAEU/Ca0THmhGevA/s72-c/DSC04511.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5676230443947371007</id><published>2008-12-25T20:42:00.003Z</published><updated>2008-12-25T21:01:57.262Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É dia de Natal. Apesar de tudo, é dia de Natal. Apesar da lareira apagada, da manta húmida por sobre os joelhos a fingir o calor, a simular um conforto feito de nada. Ficou para trás o naco de pão e a malga com o caldo enregelado. Vem-lhe à memória a abundância de que ouvira falar na catequese, no banco duro da escola: o ouro, o incenso e a mirra. Se deram valor àquilo, é porque já teriam comida, mesmo que fosse apenas o leite da vaca ou da burra, ou de alguma cabra ou ovelha que tivesse vindo mirar o menino nascido no meio das bestas e do seu calor, e do seu cheiro, com o enlevo e a devoção possíveis a uma cabra ou a uma ovelha. Lembra-se depois de outra coisa que o Menino prometeu mas... ensinaram-lhe que tinha sido na Páscoa. Era igual, palavra de Deus, Homem ou Menino, não tem época nem tempo propícios, como a fruta, como as tangerinas no pino do Inverno frio. "Ainda hoje estarás comigo no Paraíso." Sabe-lhe a redenção, esta frase. Ecoa-lhe como 'glória a Deus' sob o brilho prenhe de vida da estrela que trouxe ouro e insenso e tudo o resto. Amanhã, acordará, talvez no paraíso, com uma estrela que guiará até si gente vinda de todas as partes a dar-lhe coisas, um beijo que seja, um abraço. E, Páscoa ou Natal, terá sido tudo o mesmo porque a vida e a morte correm lado-a-lado, como dois companheiros de escola, no recreio, com as mãos a cheirar a casca de tangerina.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5676230443947371007?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5676230443947371007/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5676230443947371007' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5676230443947371007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5676230443947371007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/12/dia-de-natal.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-837808915450292371</id><published>2008-12-23T01:44:00.002Z</published><updated>2008-12-28T02:40:00.321Z</updated><title type='text'>não é bem uma carta...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nunca te perguntei certas coisas. Nem sei mesmo se o farei agora, não te quero magoar. Seria sempre de forma não intencional mas, ainda assim, não quero correr o risco. Já é suficientemente penosa a ideia de que, em breve, mais depressa do que todos pensamos, estaremos todos, de uma forma ou de outra, impedidos de nos abraçarmos e de dizermos quão importantes fomos uns para os outros. Por isso, não te quero perguntar por que razão te fechavas no quarto e, pela mesma fresta que me deixava entrever a hera do lado de lá da janela, no jardim do vizinho, te via com uma almofada por sobre a cabeça, o corpo de bruços, prostrado. Não te pergunto também porque, fechada a porta, gemias e gritavas contra uma qualquer dilacerante dor que nunca soube ser do corpo ou da alma mas tão funda era que ainda hoje me dói o ter que esperar que passasse e não perceber a assumida impotência para te libertar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabes que não te pergunto as razões de tudo isso, se é que as conheceste alguma vez, porque também eu já me abriguei debaixo de uma almofada parecida e, de bruços sobre a cama, já gritei do mais fundo de mim sem saber se era do corpo, da alma ou de ambos o que me rasgava a vida, ali. E também eu já li nos olhos dos que me espreitam pela fresta da porta essa mesma impotência, essa espera que para sempre dialogará connosco. Também tu tiveste a tua fresta por onde espreitar e será esse o nosso cordão umbilical, aquele que, se calhar, nunca cortaremos.&lt;br /&gt;Há outras coisas que nunca te perguntei. Iremos falando, porque ainda temos tempo, não sabemos quanto, receio sempre que pouco... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-837808915450292371?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/837808915450292371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=837808915450292371' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/837808915450292371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/837808915450292371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/12/nunca-te-perguntei-certas-coisas.html' title='não é bem uma carta...'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-2329676752227647438</id><published>2008-12-08T21:17:00.004Z</published><updated>2008-12-28T02:39:25.590Z</updated><title type='text'>da importância de ir escrevendo cartas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Caíam gotas de água errante, chuva ambiente. Os semáforos, o cruzamento, testemunhos de toda a gente a querer ir para todos os lados e todos sob um mesmo céu cinzento. Tomava-o a inércia, essa pouca vontade de sobreviver mais um dia. Sentado no carro, enquanto esperava, deixava qua as gotas se acumulassem, paulatinamente, no vidro e apeteceu-lhe que fosse essa a metáfora dos seus últimos dias. Cada vez menos detalhe, cada vez mais difuso e caleidoscópico, cada vez mais longe. Ouvira em fado antigo que gaivota que não voa, esmorece e cai no mar. Apetecia-lhe também que fosse essa outra metáfora dos seus últimos dias, povoados de abundante autocomiseração e água mole. Escreveria uma carta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-2329676752227647438?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/2329676752227647438/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=2329676752227647438' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2329676752227647438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2329676752227647438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/12/carta-i.html' title='da importância de ir escrevendo cartas'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-8273071987657122287</id><published>2008-10-14T15:45:00.001+01:00</published><updated>2008-11-27T11:46:15.053Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Perde-se em folhas o que se ganha em raízes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-8273071987657122287?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/8273071987657122287/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=8273071987657122287' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8273071987657122287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8273071987657122287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/10/perde-se-em-folhas-o-que-se-ganha-em.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-8065710918038343631</id><published>2008-10-14T15:30:00.004+01:00</published><updated>2008-10-14T15:48:37.415+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gosto das manhãs cinzentas, de chuva mansa. Gosto desse carinho sobre a pele, do desconforto da roupa lentamente molhada no corpo e das gotas a escorrer pelas pálpebras. Lava e cura como as lágrimas, sem o sabor cortante do sal. Gosto de pestanejar lentamente, deixando os olhos fechados por um par de segundos. Abro-os depois e o cinzento do céu fica de um quase branco, luminoso, de braços abertos. Como tudo muda, gosto de manhãs cinzentas, de chuva mansa, pela certeza de que virão outras cores, outra luz, outra água, com sal ou não.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-8065710918038343631?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/8065710918038343631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=8065710918038343631' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8065710918038343631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/8065710918038343631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/10/gosto-das-manhs-cinzentas-de-chuva.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-2222325920555338475</id><published>2008-10-14T15:14:00.006+01:00</published><updated>2008-12-28T02:57:32.087Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- De pé se morre, às vezes, como este castanheiro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- ... lentamente e em paz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- ... até ao último fio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257015847445378450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_YiHbwbruZrU/SPSsD3WUtZI/AAAAAAAAADc/CG4Q9ilg934/s320/DSC00666.JPG" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Amen.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-2222325920555338475?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/2222325920555338475/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=2222325920555338475' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2222325920555338475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/2222325920555338475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/10/de-p-se-morre-como-este-carvalho.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_YiHbwbruZrU/SPSsD3WUtZI/AAAAAAAAADc/CG4Q9ilg934/s72-c/DSC00666.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1649697037098797282</id><published>2008-10-12T21:26:00.003+01:00</published><updated>2008-10-12T21:39:44.284+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gostaria que olhasses para mim e fosses sempre capaz de me ver, até ao fim.&lt;br /&gt;Gostaria de fechar os olhos e sentir as minhas feridas a fechar em paz, só por te saber por perto, a ver-me. E isso bastaria, isso e tudo o resto, a longa lista de sempre, de todas as partidas e regressos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1649697037098797282?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1649697037098797282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1649697037098797282' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1649697037098797282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1649697037098797282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/10/gostaria-que-olhasss-para-mim-e-fosses.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5084365228910436292</id><published>2008-10-12T21:19:00.002+01:00</published><updated>2008-10-12T21:24:31.068+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Às vezes, tantas, envergonha-me a ternura, o dizer que senti a tua falta e outras coisas que me apeteceria dizer. Depois, penso que a vida é curta demais para que percamos tempo com terrenos sinuosos e declives desnecessários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5084365228910436292?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5084365228910436292/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5084365228910436292' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5084365228910436292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5084365228910436292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/10/s-vezes-tantas-envergonha-me-ternura-o.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-738045343572702906</id><published>2008-09-20T10:18:00.003+01:00</published><updated>2008-09-20T10:20:38.553+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sei que hoje é o teu dia. Urdiste com paciência o teu plano e vais evadir-te sem qualquer hesitação, sem remorso algum. Ainda te lembras daquilo que me disseste no dia em que decidiste sair? "Olhei para o espelho e vi outra vez o mesmo eu de sempre, o de há anos, o de ontem. Decidi que não será o de amanhã. A vida é curta demais: inspiras, expiras, suspiras e já passou mais de metade. Os gatos têm sete vidas porque correm riscos, talvez, porque se superam em cada muro que deixam para trás, em cada telhado que conquistam, talvez. Não quero sete, mas esta, a que me trouxe até este hoje, a que me adormeceu na vertigem do tempo, esta não será a última." Um abraço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-738045343572702906?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/738045343572702906/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=738045343572702906' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/738045343572702906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/738045343572702906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/09/sei-que-hoje-o-teu-dia.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5496955966526919233</id><published>2008-08-20T11:28:00.003+01:00</published><updated>2008-08-20T11:55:05.002+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Contas, recontas, escreves, reescreves. E, nas tuas palavras, quem ouve e lê confunde memória, ficção, alteridade e introspecção. Serás sempre palimpsesto, condenado a fazer e desfazer apesar de ti próprio. Não lutes pela tua credibilidade. Quem não compreende não distingue e apenas lê o mais recente. Tu és mais do que isso no teu jogo vital.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5496955966526919233?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5496955966526919233/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5496955966526919233' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5496955966526919233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5496955966526919233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/08/contas-recontas-escreves-reescreves.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-1068016485878558345</id><published>2008-07-21T16:48:00.003+01:00</published><updated>2008-07-21T17:13:48.248+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Desenhas linhas no papel,&lt;br /&gt;Como estradas.&lt;br /&gt;Desenhas, por sobre a mesa velha, de madeira velha,&lt;br /&gt;Estradas direitas e tortas, que se entercruzam&lt;br /&gt;Como uma teia impossível.&lt;br /&gt;Vais forrando a parede cinzenta com esse mapa.&lt;br /&gt;Será o teu mapa que levará ao teu tesouro.&lt;br /&gt;Será um tesouro saqueado vezes demais,&lt;br /&gt;Partilhado até nada mais ressoar do seu fundo,&lt;br /&gt;Apenas o estertor da tua dignidade moribunda.&lt;br /&gt;Ficarás por aí, traçando no céu do teu universo&lt;br /&gt;Linhas sobre o papel,&lt;br /&gt;Como estradas na tua galáxia inóspita.&lt;br /&gt;E farás essas viagens.&lt;br /&gt;Viajarás, sempre, enquanto passo na rua e te imagino aí,&lt;br /&gt;Por detrás dessa janela, percorrendo resignado a tua teia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-1068016485878558345?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/1068016485878558345/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=1068016485878558345' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1068016485878558345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/1068016485878558345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/07/desenhas-linhas-no-papel-como-estradas.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7468088497152020511</id><published>2008-06-21T20:36:00.000+01:00</published><updated>2008-06-21T20:37:44.225+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Porquê? Podes sempre prerguntar porquê. A mim não me incomoda. Já o fiz, também. Porque não estiveste naquele almoço, ou jantar? Porque não constas daquela fotografia onde todos sorriem e ostentam as suas felicidadezinhas. Todos menos tu. Eu estava lá, naquele Natal e tu também mas ficaste de fora. Por que razão te excluiste ou te excluíram daquele momento de fervor e zelo, daquele pequeno altar de família feliz. Voavas, já? Como sempre, voavas acima de todos e de tudo, eras mais do céu do que da terra. E, quando parecia que eras tanto da terra, o rebelde sem causa rumo a uma qualquer perdição, quando tudo o que ocorria era perguntar porquê, tudo o que tu não sabias era responder. Foste a pergunta, essa pergunta. Continuas a ser, um pouco todos os dias, mesmo que o rosto não seja o teu, nem os silêncios. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7468088497152020511?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7468088497152020511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7468088497152020511' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7468088497152020511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7468088497152020511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/06/porqu-podes-sempre-prerguntar-porqu.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5805965698063813328</id><published>2008-05-28T14:41:00.003+01:00</published><updated>2008-05-28T15:18:46.622+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Pedes esmola, sentada ao colo do teu pai e nos seus olhos vazios temo ver os teus, só não sei quando. Ele, o teu pai, sentado no chão e tu sentada no ninho que as pernas dele fazem. Sorris a troco de uns trocos. Sorris e serias feliz se não te fosse impossível.&lt;br /&gt;Vi-te ontem a tocar uma concertina à beira de um rio, à espera que te dessem uns trocos em troca do requiem resignado que à tua volta vais entretecendo enquanto as tuas costas curvadas e os teus olhos negros, enormes pediriam para seres criança, se tivesses alguma vez sabido o que isso é. Mas não sabes. Nasceste com a amargura no rosto, a concertina na mão e eras um homem.&lt;br /&gt;O que será de ti que sorris ao colo do teu pai com os teus cabelos de ouro?&lt;br /&gt;O que será de ti que tocas sozinho, ou do teu irmão, na outra margem, com outra concertina e os mesmos olhos?&lt;br /&gt;O que será de ti daqui a cinco, daqui a dez, daqui a vinte anos, se ainda por aqui estiveres?&lt;br /&gt;Continuaremos a cruzar-nos, todos impotentes, todos com as mesmas moedas no bolso, as que te matarão a fome e as que não me fazem falta, as que me sobram e te dou para poder dormir melhor?&lt;br /&gt;Não te servirá de consolo mas deixa-me que te diga que não te esquecerei e que falarei de ti aos meus filhos, quando os tiver ao colo, para que saibam que há quem tenha de sorrir e tocar concertina no chão frio e sujo da rua sem perguntar porquê.&lt;br /&gt;Nessa noite, dormiremos pior. Onde estarás?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Varsóvia, 28 maio 2008; evocando Berlin, 5 agosto 2008) &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5805965698063813328?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5805965698063813328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5805965698063813328' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5805965698063813328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5805965698063813328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/05/pedes-esmola-sentada-ao-colo-do-teu-pai.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7637930565308004610</id><published>2008-05-10T11:17:00.005+01:00</published><updated>2008-05-10T19:10:26.983+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Sobre o meu corpo, duplicou, triplicou, hoje, a força da gravidade.&lt;br /&gt;E tudo, mesmo tudo, pesa demais, até a chuva, até o ar que inspiro.&lt;br /&gt;Tudo esmaga, tudo comprime, tudo deprime, quase tudo magoa por sobre a dor cinzenta e o cansaço.&lt;br /&gt;E tudo, mesmo tudo à minha volta, me parece saido de uma fotografia envelhecida pelo tempo e pela falta de cuidados.&lt;br /&gt;Dias pesados, sombrios, estes.&lt;br /&gt;Um passo atrás do outro, até amanhã.&lt;br /&gt;Espero cores, amanhã. Cores e nitidez.&lt;br /&gt;E um ar que não se debata tanto comigo ao inspirar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7637930565308004610?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7637930565308004610/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7637930565308004610' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7637930565308004610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7637930565308004610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/05/sobre-o-meu-corpo-duplicou-triplicou.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-6965921901724783842</id><published>2008-04-24T22:26:00.003+01:00</published><updated>2008-04-24T22:43:46.682+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Nasceste quente, do ventre da tua mãe, linda, a questionar o mundo como hoje o fazes. Desafias-te e desafias-me no crescer tão rápido, na sede de te tornares adulta, enquanto eu tento manter a imagem de quando a tua mão era tão pequena que a fechava toda na minha, como um tesouro. Vai-se revelando, em cada dia do teu amor fugidio, que com o sangue do teu cordão umbilical te escrevi e te gravei no mais fundo de mim, para sempre. Foste o meu, o nosso primeiro poema. Um dia, com mais tempo, não te preocupes agora em pensar muito nisso, saberás o que isso vale. Se calhar já sabes, sempre soubeste e eu ainda não percebi...&lt;br /&gt;Um beijo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;para a M.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-6965921901724783842?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/6965921901724783842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=6965921901724783842' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6965921901724783842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6965921901724783842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/04/nasceste-quente-do-ventre-da-tua-me.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-6531187465548102531</id><published>2008-04-21T22:46:00.008+01:00</published><updated>2008-04-22T00:19:12.321+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Deixa a luz acesa. Deixa-a perto da janela.&lt;br /&gt;Sabes que não parti, que apenas estou meio perdido, a tentar encontrar o caminho de volta. Sabes que ando perdido, já me conheces. (Sei que sorririas se me ouvisses dizer isto...)&lt;br /&gt;Sabes que não estou onde me viste descer à terra, entre uma lágrima e uma palavra de conforto mas sabes que me encontras em cada canto da memória, em cada linha que escrevi, em cada papel desarrumado que ainda não quiseste pôr em ordem, com medo de me ires apagando, no meu casaco preferido, que vestes para amenizares os frios que te assolam.&lt;br /&gt;Deixa a luz acesa e perto da janela. Saberás que a encontrei quando não precisares da memória para sentires a minha mão na tua. Conheces-me, sabes que te darei a mão em busca de conforto antes de adormecer.&lt;br /&gt;Confio, sempre o vi nos teus olhos, que vais deixar a luz acesa. Conheces-me, sempre soubeste que, ao partir, teria medo do escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(o conforto de saber que existes)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-6531187465548102531?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/6531187465548102531/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=6531187465548102531' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6531187465548102531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/6531187465548102531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/04/deixa-luz-acesa.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3994129046337647879</id><published>2008-04-16T16:44:00.002+01:00</published><updated>2008-04-16T17:04:20.127+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>E que tal se caminhássemos em sentidos opostos, de costas voltadas, como nos duelos antigos mas sem as armas. Só a lua a iluminar a despedida, passos firmes e cadência certa. Andariamos tudo o que pudessemos. Um dia, dariamos connosco cara-a-cara, de novo, porque tudo é tão simples como o redondo da terra. &lt;br /&gt;É estúpida, não é, esta ideia?  Seria a aventura de testar leis, acasos, probabilidades. Fechemos os olhos e fiquemos assim, lado a lado, pele na pele, a sentir o tempo passar à velocidade da vida E será bom, muito melhor do que tentar parar a Primavera, ou Inverno, ou as rugas. Isso será valor seguro, como a lua por sobre todos nós, ou o sol. A aventura será tudo o resto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3994129046337647879?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3994129046337647879/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3994129046337647879' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3994129046337647879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3994129046337647879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/04/e-que-tal-se-caminhssemos-em-sentidos.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7908032132471508139</id><published>2008-04-06T14:51:00.001+01:00</published><updated>2008-04-06T14:56:13.614+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A fronteira nunca traçada entre a verdade e a mentira, entre o sonhado, pesadelos ou sonhos consoladores, e o vivido, neste Baudolino...&lt;br /&gt;O prazer de escrever livremente, o poder ser a personagem que está frente ao teclado, deixando de lado o homem que sou e carregando com ele todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esteja na hora de parar, talvez de vez. Talvez não.&lt;br /&gt;Talvez esteja esgotado o espaço deste álbum de recortes, ou lá o que isto é. Talvez os que aqui passam precisem de repouso, de um sono revigorante face aos lugares comuns que se amontoam em palavras já demasiado castigadas pela vulgaridade e pelo não se saber dizer melhor o que passa pela mente...&lt;br /&gt;Todas as palavras escritas, os lamentos todos, todo o medo, toda a volúpia da morte, todas as personagens, as suas lágrimas todas, toda a ficção, a realidade toda, o cansaço do não resolvido, a impaciência e a ansiedade face ao futuro que chega a cada segundo que passa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7908032132471508139?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7908032132471508139/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7908032132471508139' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7908032132471508139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7908032132471508139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/04/fronteira-nunca-traada-entre-verdade-e.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3275516884897795248</id><published>2008-03-26T22:27:00.006Z</published><updated>2008-04-13T16:18:32.648+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fazes hoje o luto por ninguém que tenha morrido. Não foi ninguém hoje para debaixo da terra fria deste frio fim de Março. Contudo, as lágrimas percorrem o teu rosto e a perda ensombra-te o olhar. Abriste hoje os olhos, de manhã, e quiseste fechá-los de novo, ignorar o que te faz sentir mais velho. Estás hoje mais velho, garantidamente, do que ontem. Se estás mais maduro... duvido. O teu mundo perfeito quis mostrar-se imperfeito e nascer para que todos o vissem. Rebentaram as águas e, do útero da tua fantasia saíu uma violência muda, surda, velha e amarga, pequenina e mesquinha, com modos de quem não é lobo mas está a adorar ter-lhe vestido a pele. É assim mesmo. E, como por tantos outros partos indesejados de coisas indesejadas, choras. Choras e fazes luto. Choras porque não és mais do que uma criança que a vida protegeu cegamente. E fazes luto, um luto carregado por ti, por aquilo que não és capaz de manter vivo no pálido sol coberto de nuvens cobardes que és tu e a tua vida. No teu mundo, tudo deveria fazer sentido. Talvez sejas tu a peça errada do puzzle que se foi tecendo à tua volta, talvez te leves demasiado a sério, prenhe de narcisismo e autocomiseração. Paciência. Já nasceste. Aguenta-te com o resto. Consola-te: isto não dura sempre. É irónico, não é? Lembras-te de teres desejado a imortalidade na tua infância? Ainda bem que cresceste, pelo menos nisto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3275516884897795248?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3275516884897795248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3275516884897795248' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3275516884897795248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3275516884897795248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/03/fazes-hoje-o-luto-por-ningum-que-tenha.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-741250062769896551</id><published>2008-02-09T14:30:00.000Z</published><updated>2008-02-09T14:38:58.591Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;‘Acho que sempre tenho de ir até ao horizonte’, disse-te ao ouvido. Pensaste sempre que seria mais uma daquelas stuações em que murmurava coisas quase ininteligíveis ou cujo sentido era impossível de encaixar no mundo dos outros. Levantou-se e foi colocar-se sob a porta da rua. Olhou ao fundo a linha do horizonte avermelhado, lugar comum do pôr-de-sol na planície. Subitamente, começou a correr em direcção à estrada, primeiro devagar, depois como no esforço final perto da meta. Correu até deixares de o ver. E continuou, soubeste-o depois. Esperaste uns minutos, voltaste para dentro, já ansioso. Em cima da mesa, num pequeno papel escrito a lápis, um “Fui até ao horizonte. Até já.”&lt;br /&gt;Nunca mais o viste. Guardas o papel, gravado na lápide da tua memória, o carvão negro no papel branco rasgado de um caderno encontrado por ali.&lt;br /&gt;Acho que tenho de ir até ao horizonte, eu também. Por lá nos encontraremos talvez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-741250062769896551?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/741250062769896551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=741250062769896551' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/741250062769896551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/741250062769896551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/02/acho-que-sempre-tenho-de-ir-at-ao.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4338215410713473449</id><published>2008-01-29T22:36:00.000Z</published><updated>2008-02-09T14:37:14.836Z</updated><title type='text'>obituário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Com mil rituais, enterramos os nossos mortos. Fazemos embrulhos, com caixinhas numa madeira que parece sempre brilhante, plastificada, forrada de uns cetins baratos pagos, tantas vezes, ao preço da glória, se esta o tivesse. Rodeamos os mortos de flores, de uma overdose de flores, com cartões debruados a negro e com dizeres exdrúxulos de uma saudade que se afirma ali, no branco do cartão, eterna. Rodeamo-los com fitinhas, como em embrulhos de oferta, de um kitsch barroco até à náusea. Depois fechamos e abrimos as caixinhas da tal madeira brilhante, olhamos e desolhamos o corpo mirrado, a figura que parece de cera, purgada já de vida, mostramos ou ocultamos lágrimas de dor e de outras coisas, encomendamos uma alma que já não precisa de encomendação, que já está livre da sua prisão de beleza fugaz e passa por ali tentando perceber o que resta dela em tudo aquilo. Depois marchamos, pequeninos e devotos soldadinhos de uma dor, sentida ou não, e vemos a terra seca e dura cobrir o nosso embulho, como se enterrássemos um tesouro secreto mas publicando o mapa num qualquer jornal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda assim, dói sempre. Dói-nos a memória de quem só revemos nesse acto. Dói-nos o sortilégio de sabermos que vivos vamos encontrar e como isso nos evoca uma quase festa. Dói-nos o futuro, o sabermos que também um dia irão fazer um embrulhinho connosco, com vénias e mesuras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao pó tornaremos. Que seja em paz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4338215410713473449?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4338215410713473449/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4338215410713473449' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4338215410713473449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4338215410713473449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/01/obiturio.html' title='obituário'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3080121477388779042</id><published>2008-01-21T12:37:00.000Z</published><updated>2008-01-21T12:50:51.254Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quanto tempo tens? Quanto podes perder ainda com angústias, com a tua solidão, com o que não te deixa em paz? De quantos dias dispões para chorar o que não viveste, o feliz que não foste? Não sejas ingénuo, o tempo passa mesmo, colhe-te pela raíz, se for caso disso, e faz-te velho ainda que sintas o teu coração aainda agora começou a pulsar. Ou então... ou então, o tempo colhe-te sem te fazer velho, com a vida toda por viver, dizes tu, dizemos todos. O tempo sabe o teu nome de cor e, quando te chamar, de longe ou ao ouvido, entrega-te. Que não se chore mais por ti. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tu tens o tempo todo, agora, estejas onde estiveres.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3080121477388779042?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3080121477388779042/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3080121477388779042' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3080121477388779042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3080121477388779042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2008/01/quanto-tempo-tens-quanto-podes-perder.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3640018230904165725</id><published>2007-12-31T18:30:00.000Z</published><updated>2007-12-31T18:55:13.186Z</updated><title type='text'>Levanta-te e anda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Levanta os braços, por um dia que seja. Ergue-te da sombra que sobre ti criaste e deixa que alguma luz, tímida, vá escorrendo pelos teus cantos mais obscuros e secretos. Levanta a tua fronte, para que se veja que os teus olhos brilham mesmo na noite. Ergue-te da sombra e caminha pelos trilhos que se abrem à tua frente. Levanta-te e anda, mesmo que não te creias capaz de o conseguires fazer. Anda, mesmo que caias e voltes ao teu canto sombrio e nele tornes a ocultar tudo o que és. Por um dia operaste o teu milagre e posso afirmar-te, como num acto de fé, que o sol nasceu só para ti, nesse dia. Talvez te voltes a erguer e a andar de novo. Podes confiar que ficaremos à espera, pelo menos o sol e eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3640018230904165725?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3640018230904165725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3640018230904165725' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3640018230904165725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3640018230904165725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/12/levanta-te-e-anda.html' title='Levanta-te e anda'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4397419975295679402</id><published>2007-12-26T01:59:00.000Z</published><updated>2007-12-26T13:25:47.010Z</updated><title type='text'>não posso dizer que isto é uma história de Natal, embora me apetecesse</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Seguia ao longo das paredes fias das casas. A rua mal iluminada, luzes amareladas a lembrar que nem tudo deve ser visto em todo o esplendor das suas cores. Dentro de algumas casas, o cenário previsível do Natal, os ruídos das festas, pouco lhe interessava. Cá fora, a brisa cortante. Passo após passo, mais uma noite passada sem dormir a vaguear e sempre o regresso a casa, uma visita à última morada mas sem levar flores. Sempre a brisa cortante, sempre o frio. Subiu as escadas e entrou. Atirou as chaves para cima de uma cadeira, atirou-se para dentro da cama e deixou que o peso da roupa da cama se fizesse sucedâneo de amor. O frio não passaria, aquele gelo que lhe tomara conta da vida. Se lhe perguntasse, dir-me ia que, nessa noite, sonhara com cores diferentes do cinzento frio dos seus dias, com o amor a envolvê-lo, com o vento frio e seco a soprar-lhe lucidez. Desejar-me-ia um feliz Natal, provavelmente. Olhar-me-ia com os olhos de quem se despede, uma e outra vez, ainda que não saiba sequer por que razão o faz. Seguiria no seu passo, a certeza entregue ao caos, apenas porque sim.&lt;br /&gt;Talvez haja quem se sinta uma andorinha a rasgar o frio do Inverno, a vida toda. Talvez tenha de partir para outro sítio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns partem mesmo. Nunca os compreenderemos, talvez. Pergunto-me se seria relevante se faria a diferença, se alguma vez saberemos o que seria fazer a diferença para alguém a quem o ar não chega para que possa respirar. Esperemos, por tudo o que foram, que não façam a sua viagem em vão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4397419975295679402?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4397419975295679402/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4397419975295679402' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4397419975295679402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4397419975295679402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/12/e-se-isto-fosse-uma-histria-de-natal.html' title='não posso dizer que isto é uma história de Natal, embora me apetecesse'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5129164230079179334</id><published>2007-12-11T11:28:00.000Z</published><updated>2007-12-11T11:35:36.023Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tdos os dias mais um, todos os dias. Todos os dias uma palavra que afasta, que torna evidente o que sempre foi. Hoje, é mais uma perspectiva de colheita permatura de frutos que vimos lentamente despertar para o raio de sol matinal que lha dá côr. Amanhã, provavelmente, já não estará na árvore e será mais uma memória de como se cumpriu um fruto que nem teve tempo de amadurecer. Estou cansado destes ocasos ao meio-dia, estou cansado cedo demais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5129164230079179334?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5129164230079179334/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5129164230079179334' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5129164230079179334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5129164230079179334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/12/tdos-os-dias-mais-um-todos-os-dias.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-9006982542321177553</id><published>2007-11-17T03:04:00.000Z</published><updated>2007-11-24T10:41:09.510Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_YiHbwbruZrU/Rz5cay7B5YI/AAAAAAAAAAU/i36qcJkmRJw/s1600-h/DSC04234.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133642240664659330" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_YiHbwbruZrU/Rz5cay7B5YI/AAAAAAAAAAU/i36qcJkmRJw/s320/DSC04234.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;color:#999999;"&gt;&lt;em&gt;Alvito da Beira, set 2007&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-9006982542321177553?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/9006982542321177553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=9006982542321177553' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/9006982542321177553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/9006982542321177553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/11/assim-vida.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_YiHbwbruZrU/Rz5cay7B5YI/AAAAAAAAAAU/i36qcJkmRJw/s72-c/DSC04234.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-3007964054463278220</id><published>2007-11-14T21:02:00.001Z</published><updated>2010-02-10T16:33:06.970Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='finais de dia c sabor a fim'/><title type='text'>finais de dia com sabor a fim V</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nunca a chave lhe tinha parecido tão grande, tão desproporcionada relativamente à porta. Nunca a sua vida custara tanto a abrir, como a porta. Conseguiu, com esforço, abrir a porta. Sentou-se na varanda. A brisa arrefecia e a madrugada já ia longa. Sentou-se e tentou abrir a vida, como fizera à porta. Pensou que talvez não valesse a pena forçar. Da porta, ainda tinha a chave, da vida, nem por isso. Adormeceu por ali, até que os primeiros raios de luz lhe aqueceram os pés colocados sobre o muro. Da noite ficou o frio de mais uma cicatriz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-3007964054463278220?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/3007964054463278220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=3007964054463278220' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3007964054463278220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/3007964054463278220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/11/finais-de-dia-com-sabor-fim-v.html' title='finais de dia com sabor a fim V'/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5040441936036312418</id><published>2007-10-21T21:13:00.000+01:00</published><updated>2007-10-21T21:53:54.462+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Seria o teu vigésimo aniversário. Estarias hoje aqui, sabe-se lá como, com quem a teu lado, connosco, assim o esperaríamos. Contentámo-nos e adormecemos a perda com aquelas certezas que vamos construindo, que pensamos serem consoladoras mas pouco mais fazem do que ajudar o tempo a passar e, com ele, a aumentar o medo de esquecer-te. Estarias aqui, sabe-se lá com que humor, se calhar num daqueles dias em que te cairia por sobre os ombros o peso do mundo, do teu mundo, as neblinas de ontem, as tempestades da tua infância que nunca chegaremos a imaginar, a euforia de uma qualquer conquista. Nunca o saberemos. Estarias e isso contaria mais do que todos as velas que pudesses soprar, todos os aplausos que por ti se ouviriam. Estarias e teríamos alguém a quem envolver nos nossos braços. Sopramos, hoje, por ti, as tuas velas e esperaremos sempre que, no final do dia, possas ser tu a bater à porta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;17 de Outubro. Parabéns J.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5040441936036312418?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5040441936036312418/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5040441936036312418' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5040441936036312418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5040441936036312418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/10/seria-o-teu-vigsimo-aniversrio.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-286282667126524209</id><published>2007-10-11T17:34:00.000+01:00</published><updated>2007-10-12T23:22:24.062+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Foges da vida como se ela insistisse em te perseguir, como um refugiado no teu corpo, um apátrida do afecto que roubou tempo à morte. Cresceste dentro de ti, maligno, tumor que te consome em metástases que não podes mais controlar, sem redenção. Sonhas com o dia em que te libertarás de ti, seja como for, nem que isso te leve para longe daqui, onde tudo te é estranho, quase tão estranho como tu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-286282667126524209?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/286282667126524209/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=286282667126524209' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/286282667126524209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/286282667126524209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/10/foges-da-vida-como-se-ela-insistisse-em.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-4739333646376108101</id><published>2007-10-10T18:15:00.000+01:00</published><updated>2007-10-10T18:17:09.093+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fazes-te à estrada, preparado, o cantil com água, talvez, a sede à espreita. A estrada é a saída, já o sabes há muito. Sabes que, à tua volta, o ar está seco, como a terra debaixo dos teus pés. Vês no espelho o desalento, observas as lágrimas que lentamente escorrem pela tua face, desafiando a gravidade e teimando em percorrer o máximo de pele antes de cair no chão. Vês, pelo espelho, a estrada nas tuas costas e avanças. Sabia que não terias medo, que chegado o momento, serias tu a desafiar as leis da física e a trocá-las pelas do desespero, queda por palavras, terra seca por tempestade violenta, vida por sonho, certezas por amor. Sabia que serias capaz de voar, apenas porque nunca quiseste olhar para o chão olhos nos olhos. Sabia que partirias um dia Apenas não queria que tivesse sido hoje. Fazes-me falta, ainda que sejas eu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-4739333646376108101?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/4739333646376108101/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=4739333646376108101' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4739333646376108101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/4739333646376108101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/10/fazes-te-estrada-preparado-o-cantil-com.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-5319457616363363626</id><published>2007-10-01T12:44:00.000+01:00</published><updated>2007-10-01T21:40:28.287+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nos sonhos de sua mãe, nunca foi feia, nunca foi má, nunca acordou com a necessidade de se lavar para que dela saísse o cheiro da miséria, da dignidade perdida. Aos olhos de sua mãe, foi sempre a mesma, criança indefesa, esperança, mistério, candura, enlevo deitado num colo feito ninho. No leito de sua mãe jazem todas as esperanças, mortas, as últimas a morrer, diz o povo. Nos olhos fechados de sua mãe ficam os sonhos, encerrados, história terminada, resgate negado &lt;em&gt;ad eternum&lt;/em&gt;. Nas mãos de sua mãe, placidamente colocadas sobre o peito, nas veias que a pele deixa ver e onde apenas o frio corre, fica o segredo, o sortilégio de uma doçura ainda possível, feita de lágrimas, transmutadas nos sonhos de sua mãe. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-5319457616363363626?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/5319457616363363626/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=5319457616363363626' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5319457616363363626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/5319457616363363626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/10/nos-sonhos-de-sua-me-nunca-foi-feia.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-523450863007410175.post-7781512474446014431</id><published>2007-09-22T22:25:00.000+01:00</published><updated>2007-09-23T16:17:05.033+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não me entregues a alma,&lt;br /&gt;Tu a dor,&lt;br /&gt;Eu o ópio nas veias,&lt;br /&gt;Tuas e minhas.&lt;br /&gt;Não te entrego a minha&lt;br /&gt;Para que a nós não nos envolva o vício,&lt;br /&gt;Teu e meu,&lt;br /&gt;Como um sono informe e incolor,&lt;br /&gt;Como um torpor,&lt;br /&gt;Uma quase morte consentida.&lt;br /&gt;Talvez mereçamos mais,&lt;br /&gt;Tu e eu,&lt;br /&gt;Talvez o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/523450863007410175-7781512474446014431?l=baudolino-baudolino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/feeds/7781512474446014431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=523450863007410175&amp;postID=7781512474446014431' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7781512474446014431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/523450863007410175/posts/default/7781512474446014431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baudolino-baudolino.blogspot.com/2007/09/no-me-entregues-alma-tu-dor-eu-morfina.html' title=''/><author><name>Baudolino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18176681370151945506</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry></feed>
