12/03/07

29/09/2006 finais de dia com sabor a fim I

"Chegou a casa. Deixou numa cadeira as chaves e as coisas do dia que acabava. Lavou lentamente as mãos com a água fria que saía da torneira. Lavou a face também. Deixou-se ficar um pouco em frente ao espelho. As lágrimas correram-lhe pelo rosto sem chegar a saber porquê. Secou as mão e o rosto. Sentou-se no sofá e adormeceu. Sonhou que estava feliz e que não estava só. Acordou no dia seguinte, já na cama. Levantou-se e olhou a janela. Chovia. Fechou os olhos e sonhou que dormia e que sonhava que era feliz."

25/09/2006

Se há dias em que parece que voamos acima de qualquer obstáculo e nada nos faz recear a velocidade vertiginosa e o ar sufocante a contornar-nos o corpo num túnel de vento, hoje não é um desses dias. Hoje, o vento magoa e o simples respirar provoca uma dor quase insuportável. Hoje, sinto a minha pele com desconforto. Amanhã talvez seja um dia melhor. Talvez amanhã as palavras não ecoem com estrondo na memória. Talvez amanhã não deseje ir ao encontro daqueles que partiram. Mas hoje nem as palavras mitigam o cansaço de existir.

31/01/07

15 set 2006

Das palavras nasce a vida. E a vida não é mais do que as palavras que gravamos e deixamos gravar no nosso corpo e no nosso espírito, a sangue, a fogo e mitigadas pela água que refresca e cura com o pó da terra, barro de que somos feitos todos nós. Vivo como se tatuasse a minha vida com a dor e a alegria de existir, em solidão. Todos os dias mais tinta e pergaminho porque só as palavras interessam, só as palavras.

O início

"eo Baudolino de Galiaudo de los Aularios... "Baudolino raspava pergaminhos para ter onde escrever. É o que faço. Com todos os suportes contaminados, resta-me raspar e escrever por cima. Veremos ao que estou destinado. (27 jul 2006)