Seria o teu vigésimo aniversário. Estarias hoje aqui, sabe-se lá como, com quem a teu lado, connosco, assim o esperaríamos. Contentámo-nos e adormecemos a perda com aquelas certezas que vamos construindo, que pensamos serem consoladoras mas pouco mais fazem do que ajudar o tempo a passar e, com ele, a aumentar o medo de esquecer-te. Estarias aqui, sabe-se lá com que humor, se calhar num daqueles dias em que te cairia por sobre os ombros o peso do mundo, do teu mundo, as neblinas de ontem, as tempestades da tua infância que nunca chegaremos a imaginar, a euforia de uma qualquer conquista. Nunca o saberemos. Estarias e isso contaria mais do que todos as velas que pudesses soprar, todos os aplausos que por ti se ouviriam. Estarias e teríamos alguém a quem envolver nos nossos braços. Sopramos, hoje, por ti, as tuas velas e esperaremos sempre que, no final do dia, possas ser tu a bater à porta.
17 de Outubro. Parabéns J.