‘Acho que sempre tenho de ir até ao horizonte’, disse-te ao ouvido. Pensaste sempre que seria mais uma daquelas stuações em que murmurava coisas quase ininteligíveis ou cujo sentido era impossível de encaixar no mundo dos outros. Levantou-se e foi colocar-se sob a porta da rua. Olhou ao fundo a linha do horizonte avermelhado, lugar comum do pôr-de-sol na planície. Subitamente, começou a correr em direcção à estrada, primeiro devagar, depois como no esforço final perto da meta. Correu até deixares de o ver. E continuou, soubeste-o depois. Esperaste uns minutos, voltaste para dentro, já ansioso. Em cima da mesa, num pequeno papel escrito a lápis, um “Fui até ao horizonte. Até já.”
Nunca mais o viste. Guardas o papel, gravado na lápide da tua memória, o carvão negro no papel branco rasgado de um caderno encontrado por ali.
Acho que tenho de ir até ao horizonte, eu também. Por lá nos encontraremos talvez.
Nunca mais o viste. Guardas o papel, gravado na lápide da tua memória, o carvão negro no papel branco rasgado de um caderno encontrado por ali.
Acho que tenho de ir até ao horizonte, eu também. Por lá nos encontraremos talvez.