14/10/08

Perde-se em folhas o que se ganha em raízes.
Gosto das manhãs cinzentas, de chuva mansa. Gosto desse carinho sobre a pele, do desconforto da roupa lentamente molhada no corpo e das gotas a escorrer pelas pálpebras. Lava e cura como as lágrimas, sem o sabor cortante do sal. Gosto de pestanejar lentamente, deixando os olhos fechados por um par de segundos. Abro-os depois e o cinzento do céu fica de um quase branco, luminoso, de braços abertos. Como tudo muda, gosto de manhãs cinzentas, de chuva mansa, pela certeza de que virão outras cores, outra luz, outra água, com sal ou não.
- De pé se morre, às vezes, como este castanheiro.
- ... lentamente e em paz.
- ... até ao último fio.


- Amen.

12/10/08

Gostaria que olhasses para mim e fosses sempre capaz de me ver, até ao fim.
Gostaria de fechar os olhos e sentir as minhas feridas a fechar em paz, só por te saber por perto, a ver-me. E isso bastaria, isso e tudo o resto, a longa lista de sempre, de todas as partidas e regressos.
Às vezes, tantas, envergonha-me a ternura, o dizer que senti a tua falta e outras coisas que me apeteceria dizer. Depois, penso que a vida é curta demais para que percamos tempo com terrenos sinuosos e declives desnecessários.