15/05/07

Porque te sentes como se tivesses perdido as pétalas, choras, deixas que a tua raiz só tenha esse mar como alimento. Porque a chuva não consegue penetrar o denso da tua ramagem, agora inútil, as folhas ásperas com que vestiste o coração, terás de viver da nascente da tua dor. Será ela quem te matará a fome e a sede, quem te dirá que basta já, quem te fará seguir os pontos cardeais, quem conduzirá os teus passos na morna terra fértil que tu sentirás como terra árida de ninguém, como numa qualquer guerra sem inimigo definido. Apenas tu para combater e, nos teus lábios, o sabor do sal errado da vida.

4 comentários:

rtp disse...

Muito Belo!
E quantas vezes nos sentimos como se "tivessemos perdido as pétalas" e "com o sabor do sal errado da vida"! Se ao menos nos soubessemos expressar assim...

verde disse...

A felicidade depende de nós, só de nós. A infelicidade também. Bonito poema para nos transmitir o que um buda também diz: a felicidade é o caminho, não o destino final.

Isabel Moreira disse...

é isto mesmo.

lua de inverno disse...

... e, se as lágrimas se tornam o alimento, a vida perpetua-se errada.