10/10/07

Fazes-te à estrada, preparado, o cantil com água, talvez, a sede à espreita. A estrada é a saída, já o sabes há muito. Sabes que, à tua volta, o ar está seco, como a terra debaixo dos teus pés. Vês no espelho o desalento, observas as lágrimas que lentamente escorrem pela tua face, desafiando a gravidade e teimando em percorrer o máximo de pele antes de cair no chão. Vês, pelo espelho, a estrada nas tuas costas e avanças. Sabia que não terias medo, que chegado o momento, serias tu a desafiar as leis da física e a trocá-las pelas do desespero, queda por palavras, terra seca por tempestade violenta, vida por sonho, certezas por amor. Sabia que serias capaz de voar, apenas porque nunca quiseste olhar para o chão olhos nos olhos. Sabia que partirias um dia Apenas não queria que tivesse sido hoje. Fazes-me falta, ainda que sejas eu.

8 comentários:

APC disse...

Porque podemos ser um ou outro. Porque nos habituamos a ser o que não queremos, sempre em busca daquele que mais somos, num percurso feito de cobardes e heróicas solidões. Porque somos tanto e tão pouco. E loucos, sim!

Baudolino, o menino escreve!!! :-)

hora tardia disse...

brilhante este voar.....


já tinha saudade.


bom dia!!!!!!!!!!!



/Piano.

blue disse...

obrigada, baudolino.

luísa disse...

não consigo comentar estes textos. não consigo. as palavras tornam-se demasiado vazias junto das tuas.
fantástico. como sempre*

un dress disse...

ainda que sejas eu e ainda que quase nada exista fora dos dois

ainda que por vezes te chame
e não te veja em parte alguma

ainda que duvide e arda e desespere

ainda que tudo ainda que nada
eu só leve aqui calada

nada posso senão

acreditar

sorrir

esperar


...



beijO

Vieira Calado disse...

Também gosto de meter coisas das ciências exactas nos meus textos.
Um abraço.

Joaninha disse...

"Fazes-me falta, ainda que sejas eu." Uma densidade psicológica notável.

Letras de Babel disse...

ninguém escreve posts para ti como tu...


bjs